Questão nº 50

Questão de Direito Civil · FCC TRT-12 2023 (nº 50)

FCC2023Analista Judiciário - Área Judiciária - Especialidade Oficial de Justiça Avaliador FederalDireito Civil
Gabarito: Cver comentário ↓

Marcos contraiu empréstimo no início de 2023 e não conseguiu arcar com o pagamento das prestações. Em 2024, no intuito de se furtar ao adimplemento do contrato, simulou a venda de seu único carro, por instrumento particular, atribuindo data anterior à aquisição do empréstimo. Nessa hipótese, o negócio jurídico de transferência do veículo é

Resposta comentada

Gabarito Alternativa C

"Simulação" é quando as partes de um negócio jurídico (como uma venda) fingem que ele existe ou que tem um conteúdo diferente do real, para enganar alguém ou burlar a lei, criando uma aparência falsa.

  • (A) Incorreta: A simulação não torna o negócio jurídico anulável, mas sim nulo. A nulidade, por ser a sanção mais grave, não se sujeita a prazos prescricionais.
  • (B) Incorreta: A simulação gera nulidade, não anulabilidade. Negócios nulos não estão sujeitos a prazos decadenciais para que sua nulidade seja declarada, pois não se convalidam com o tempo.
  • (C) Correta: O negócio jurídico simulado é nulo, conforme o Art. 167 do Código Civil. A nulidade é a sanção mais grave, significando que o ato nunca produziu efeitos válidos. Atos nulos são insuscetíveis de confirmação pelas partes e não se convalidam pelo decurso do tempo, podendo ser declarados nulos a qualquer momento, pois a nulidade é de ordem pública. A descrição "simulou a venda" e "atribuindo data anterior" caracteriza perfeitamente a simulação.
  • (D) Incorreta: A simulação resulta em nulidade, não anulabilidade. Atos nulos não estão sujeitos a prazos decadenciais ou prescricionais para a declaração de sua nulidade.
  • (E) Incorreta: A simulação é causa de nulidade, não de anulabilidade. Consequentemente, não há prazo prescricional para a declaração de nulidade de um negócio simulado, que é imprescritível. A principal armadilha da banca é confundir simulação (que gera nulidade) com fraude contra credores (que gera anulabilidade e se submete a prazos). Embora o objetivo de Marcos seja "se furtar ao adimplemento", o meio utilizado ("simulou a venda", "atribuindo data anterior") é a simulação, e não uma venda real em fraude.

Fonte: FCC TRT-12 2023 Analista Judiciário - Área Judiciária - Especialidade Oficial de Justiça Avaliador Federal (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.

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