Questão nº 99

Questão de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos · FCC PGE-TO 2017 (nº 99)

FCC2017Procurador do Estado - Nível IDireitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos
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Considere que determinada Municipalidade precise desapropriar um terreno para instalação de um equipamento público. Durante a avaliação pericial da área para identificação do valor do imóvel foi apurado que o terreno apresentava contaminação do solo, decorrente da destinação pelo proprietário para atividades não autorizadas. O ente público expropriante

Resposta comentada

Gabarito Alternativa A

Em uma desapropriação, o poder público deve pagar uma indenização justa pelo imóvel. Se o imóvel estiver contaminado por culpa do proprietário, o custo para limpar essa contaminação é de responsabilidade do próprio dono, e esse valor pode ser descontado da indenização.

  • (A) Correta: O princípio do "poluidor pagador" (art. 14, § 1º, da Lei nº 6.938/81) estabelece que quem causa dano ambiental é responsável por sua reparação. A contaminação diminui o valor do imóvel e gera um custo de remediação. Para que a indenização seja "justa", o ente público pode deduzir esse custo, garantindo que o proprietário arque com a responsabilidade pelo dano que causou.
  • (B) Incorreta: A desistência da desapropriação é uma possibilidade, mas não há um "vício de legalidade" que a imponha. A contaminação é um problema de valor e responsabilidade. A armadilha aqui é sugerir que o proprietário teria direito a indenização pela desistência, mesmo tendo sido o causador do problema que levou a essa situação, o que seria contraditório aos princípios de responsabilidade ambiental.
  • (C) Incorreta: Esta alternativa contraria o princípio do "poluidor pagador". Os custos de descontaminação decorrentes de atividades irregulares do proprietário não são um "risco inerente à aquisição" para o poder público, mas sim uma responsabilidade do causador do dano.
  • (D) Incorreta: A Constituição Federal exige que a indenização em desapropriação seja prévia e justa. A necessidade de incluir o custo de descontaminação afeta o valor da indenização, mas não a sua temporalidade, que deve ser anterior ou concomitante à perda da propriedade.
  • (E) Incorreta: A desistência não é uma obrigação. O ente público tem a prerrogativa de prosseguir com a desapropriação, deduzindo os custos de descontaminação. A afirmação de que o valor estimado "será necessariamente superado" é uma generalização que não se aplica a todos os casos e ignora a possibilidade de dedução.

Fonte: FCC PGE-TO 2017 Procurador do Estado - Nível I (Caderno Tipo 2). Reproduzida para fins de estudo.

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