Questão nº 19
Questão de Direito Administrativo · FCC PGE-TO 2017 (nº 19)
Custódio Bocaiúva é Chefe de Gabinete de uma Secretaria de determinado Estado. Certo dia, em vista da ausência do Secretário Estadual, que saíra para uma reunião com o Governador, Custódio assinou o ato de nomeação de um candidato aprovado em primeiro lugar para cargo efetivo, em concurso promovido pela Secretaria Estadual. No dia seguinte, tal ato saiu publicado no Diário Oficial do Estado. Sabendo-se que a legislação estadual havia atribuído ao Secretário a competência de promover tal nomeação, permitindo que este a delegasse a outras autoridades hierarquicamente subordinadas, é correto concluir que o ato praticado é
- Aválido, pois havia direito subjetivo do candidato a ser nomeado para o cargo efetivo.
- Binexistente, haja vista que não reúne os mínimos elementos que permitam seu reconhecimento como ato jurídico.
- Cválido, em vista da teoria do funcionário de fato, amplamente reconhecida na doutrina administrativa.
- Dinválido, pois, segundo a Constituição Federal, a nomeação de servidores é atribuição exclusiva e indelegável do Chefe do Poder Executivo, regra sujeita à observância em âmbito estadual, por conta do princípio da simetria.
- Einválido, porém sujeito à convalidação pelo Secretário de Estado, desde que não estejam presentes vícios relativos ao objeto, motivo ou finalidade do ato. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
Um ato administrativo é uma declaração do Estado ou de quem o represente, que produz efeitos jurídicos. Para ser válido, ele precisa de alguns requisitos, como ter sido praticado por uma autoridade competente (que tem poder legal para fazer aquilo) e seguir a forma prevista em lei. A delegação de competência ocorre quando uma autoridade (delegante) transfere legalmente parte de suas atribuições para outra (delegado), que passa a ter competência para praticar o ato.
- A) Incorreta: O direito subjetivo do candidato à nomeação se refere ao mérito ou motivo do ato. A validade do ato administrativo, contudo, depende da observância de todos os seus requisitos legais, incluindo a competência de quem o pratica. Um ato praticado por autoridade incompetente é inválido, mesmo que o mérito seja justo.
- B) Incorreta: Um ato é inexistente quando lhe faltam elementos tão essenciais que ele sequer pode ser reconhecido como um ato jurídico (ex: um documento assinado por um animal). Neste caso, houve um ato formal, assinado por um servidor público e publicado, ou seja, ele existe no mundo dos fatos. O problema é sua validade jurídica devido à falta de competência.
- C) Incorreta: A teoria do funcionário de fato visa proteger terceiros de boa-fé e a continuidade do serviço público quando há um vício na investidura do agente (ex: ele foi nomeado irregularmente, mas agiu como se fosse legítimo). Aqui, Custódio é um servidor legítimo, mas agiu fora de sua competência para aquele ato específico, sem que houvesse delegação formal. A teoria não se aplica para validar um ato praticado por um agente que simplesmente não tinha a atribuição legal para fazê-lo, especialmente quando a lei exige um processo de delegação.
- D) Incorreta: (Armadilha da banca) A questão afirma expressamente que a "legislação estadual havia atribuído ao Secretário a competência de promover tal nomeação, permitindo que este a delegasse". Isso contradiz diretamente a afirmação de que a nomeação é "atribuição exclusiva e indelegável do Chefe do Poder Executivo". Embora o Chefe do Executivo tenha a competência originária para nomear, é comum e legal que essa competência seja delegada a Secretários e outras autoridades, conforme a legislação específica.
- E) Correta: O ato é inválido porque Custódio agiu sem ter a competência necessária para a nomeação, já que a lei permitia a delegação, mas ela não ocorreu formalmente. No entanto, o vício de competência, quando não se trata de usurpação de função ou de competência exclusiva e indelegável, é considerado um vício sanável. Isso significa que a autoridade competente (o Secretário de Estado) pode posteriormente convalidar (ratificar) o ato, ou seja, confirmá-lo, desde que os demais elementos do ato (objeto, motivo e finalidade) estejam em conformidade com a lei.
Fonte: FCC PGE-TO 2017 Procurador do Estado - Nível I (Caderno Tipo 2). Reproduzida para fins de estudo.