Questão nº 25
Questão de Direito Penal · FCC DPE-AM 2025 (nº 25)
FCC2025Defensor(a) Público(a) do EstadoDireito Penal
Gabarito: Ever comentário ↓
Sobre a evolução do dolo na estrutura do delito:
- ANo sistema causal-naturalista, o dolo era considerado mero elemento normativo, desvinculado da culpabilidade.
- BO finalismo, ao transferir o dolo para o tipo penal, manteve a consciência da ilicitude como parte integrante do dolo (dolus malus).
- CPara o funcionalismo radical, o dolo deve ser analisado exclusivamente com base em critérios ontológicos, rejeitando normatização.
- DA teoria finalista excluiu definitivamente o elemento volitivo do dolo, reduzindo-o a um juízo puramente cognitivo.
- ENo neokantismo, o dolo e a culpa permaneceram na culpabilidade, seguindo uma concepção estritamente psicológica. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
O dolo é a intenção de praticar um crime, ou seja, a vontade e a consciência do agente em realizar a conduta criminosa. Sua localização e compreensão dentro da estrutura do delito (fato típico, ilicitude, culpabilidade) mudaram significativamente ao longo das teorias penais.
- (A) Incorreta: No sistema causal-naturalista, o dolo era considerado um elemento psicológico (vontade e conhecimento), não normativo, e estava localizado na culpabilidade.
- (B) Incorreta: O finalismo, de fato, transferiu o dolo para o tipo penal. No entanto, ele separou a consciência da ilicitude do dolo, tornando o dolo "natural" (conhecimento e vontade sem a consciência da ilicitude). O dolus malus (dolo com consciência da ilicitude) era a concepção anterior, rejeitada pelo finalismo. Armadilha: A alternativa começa com uma afirmação correta (transferência do dolo para o tipo), mas erra crucialmente ao dizer que manteve o dolus malus.
- (C) Incorreta: O funcionalismo (radical ou moderado) é uma teoria altamente normativa, que constrói o dolo e outros elementos do delito com base em critérios de política criminal e finalidades do direito penal, não exclusivamente ontológicos.
- (D) Incorreta: A teoria finalista manteve o elemento volitivo (vontade) no dolo. O dolo finalista é a combinação de conhecimento e vontade de realizar o tipo penal.
- (E) Correta: No neokantismo, o dolo e a culpa permaneceram como elementos da culpabilidade. Embora a culpabilidade como um todo tenha adquirido um caráter normativo (juízo de reprovação), o dolo e a culpa, em sua essência, ainda eram compreendidos como fenômenos psicológicos (ligação psíquica entre o agente e o fato), embora o dolo já incluísse a consciência da ilicitude (dolus malus).
Fonte: FCC DPE-AM 2025 Defensor(a) Público(a) do Estado (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.