Questão nº 51

Questão de Direito Civil · FCC DPE-AM 2021 (nº 51)

FCC2021Defensor(a) Público(a) do EstadoDireito Civil
Gabarito: Cver comentário ↓

Em 2004, foi veiculado um programa televisivo que dramatizava um brutal assassinato ocorrido em 1958, o que levou familiares da vítima a ajuizar uma ação com a pretensão de reparação de danos morais, materiais e à imagem decorrentes da exibição do programa, sustentando o direito ao esquecimento em relação à tragédia familiar ocorrida há tanto tempo. O pedido foi indeferido em primeira e segunda instância e, em recurso extraordinário, o Supremo Tribunal Federal firmou a tese em repercussão geral que o direito ao esquecimento

Resposta comentada

Gabarito Alternativa C

O direito ao esquecimento é a pretensão de não ter fatos passados, mesmo que verdadeiros e lícitos, divulgados publicamente após certo tempo, visando proteger a dignidade e a privacidade da pessoa. O Supremo Tribunal Federal (STF) analisou esse conceito sob a ótica da Constituição Federal.

  • (A) Incorreta: O STF não considerou o direito ao esquecimento como expressamente contemplado na Constituição para obstar a divulgação de fatos verídicos apenas pela passagem do tempo.
  • (B) Incorreta: Embora o STF tenha declarado a incompatibilidade do direito ao esquecimento como direito autônomo, ele não negou a possibilidade de responsabilidade civil por excessos ou abusos na liberdade de expressão que violem direitos da personalidade.
  • (C) Correta: O STF firmou a tese de que o direito ao esquecimento, entendido como o poder de obstar a divulgação de fatos verídicos e licitamente obtidos apenas pela passagem do tempo, é incompatível com a Constituição Federal. Contudo, ressalvou que excessos ou abusos no exercício da liberdade de expressão e informação, que violem a honra, imagem, privacidade ou personalidade, devem ser analisados caso a caso e podem gerar responsabilidade.
  • (D) Incorreta: O STF não considerou o direito ao esquecimento como implicitamente contemplado na Constituição para obstar a divulgação de fatos verídicos apenas pela passagem do tempo.
  • (E) Incorreta: Esta alternativa é a mais tentadora, mas é incorreta porque afirma que o direito ao esquecimento é "compatível com o texto da Constituição Federal" e pode "implicar no poder de obstar a divulgação de fatos ou dados, ainda que verídicos e licitamente obtidos e publicados em meios de comunicação social". A armadilha está em afirmar a compatibilidade e o poder de obstar como um direito ao esquecimento autônomo, o que foi expressamente rejeitado pelo STF. O STF disse que o direito ao esquecimento (como o poder de obstar pela passagem do tempo) é incompatível. A proteção contra abusos existe, mas não sob o rótulo de um "direito ao esquecimento" que automaticamente impede a divulgação de fatos verídicos.

Fonte: FCC DPE-AM 2021 Defensor(a) Público(a) do Estado (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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