Questão nº 36
Questão de Direito Processual Penal · FCC DPE-AM 2021 (nº 36)
FCC2021Defensor(a) Público(a) do EstadoDireito Processual Penal
Gabarito: Ever comentário ↓
Acerca do aspecto processual da Lei Maria da Penha, é correto afirmar que:
- Aa ação penal relativa ao crime de lesão corporal resultante de violência doméstica contra a mulher será pública condicionada à representação da vítima, não se exigindo maiores formalidades para tanto.
- Ba transação penal não se aplica na hipótese de delitos sujeitos ao rito da Lei Maria da Penha, mas a suspensão condicional do processo, por espraiar seus efeitos para além da Lei nº 9.099/1995, é admitida.
- Cas medidas protetivas de urgência, diante da natureza cautelar restritiva de liberdade, estão dispostas em rol taxativo e devem respeitar o contraditório prévio à decretação.
- Ddada a situação de vulnerabilidade da vítima, inverte-se o ônus da prova, cabendo ao réu provar que os fatos narrados são inverídicos.
- Ena hipótese de prisão em flagrante por descumprimento de decisão judicial que defere medidas protetivas de urgência, somente a autoridade judicial poderá arbitrar fiança, sendo defeso ao Delegado fazê-lo. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
A Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) estabelece um conjunto de medidas para prevenir e combater a violência doméstica e familiar contra a mulher, criando um rito processual específico e afastando certas disposições da Lei dos Juizados Especiais.
- (A) Incorreta: A ação penal relativa ao crime de lesão corporal (leve ou culposa) resultante de violência doméstica contra a mulher é pública incondicionada, conforme entendimento do STF (ADI 4424 e ADC 19), não dependendo da representação da vítima.
- (B) Incorreta: O art. 41 da Lei Maria da Penha expressamente afasta a aplicação da Lei nº 9.099/1995 (Lei dos Juizados Especiais Criminais) aos crimes praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher, o que inclui tanto a transação penal quanto a suspensão condicional do processo. A armadilha da banca reside em sugerir que a suspensão condicional do processo seria admitida por "espalhar seus efeitos para além da Lei nº 9.099/1995", o que é falso, pois o afastamento é total.
- (C) Incorreta: As medidas protetivas de urgência (art. 22 da Lei Maria da Penha) possuem rol exemplificativo, e não taxativo, podendo o juiz aplicar outras que entender necessárias. Além disso, dada a urgência, podem ser concedidas inaudita altera pars (sem ouvir a outra parte previamente), com contraditório diferido.
- (D) Incorreta: No processo penal brasileiro, o ônus da prova recai sobre a acusação (Ministério Público), que deve provar a materialidade e autoria do crime, em respeito ao princípio da presunção de inocência. A Lei Maria da Penha não inverte esse ônus.
- (E) Correta: O art. 24-A, § 2º, da Lei Maria da Penha (incluído pela Lei nº 13.641/2018) estabelece que, na hipótese de prisão em flagrante por descumprimento de decisão judicial que defere medidas protetivas de urgência, apenas a autoridade judicial poderá conceder fiança, sendo defeso ao Delegado de Polícia fazê-lo, mesmo que a pena máxima do crime (detenção de 3 meses a 2 anos) seja inferior a 4 anos.
Fonte: FCC DPE-AM 2021 Defensor(a) Público(a) do Estado (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.