Questão nº 80

Questão de Direito Internacional Público e Privado · CEBRASPE AGU Advogado 2022 (nº 80)

CEBRASPE2022Advogado da UniãoDireito Internacional Público e Privado
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No que se refere à responsabilidade internacional do Estado e à
reparação de dano causado por ato internacionalmente ilícito,
assinale a opção correta.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa A

Conceito-chave: Quando um Estado comete um ato internacionalmente ilícito (viola um tratado ou costume internacional), ele gera duas obrigações automáticas: cessar o ato e reparar o dano. A reparação não é só dinheiro (indenização), mas inclui restituição (voltar ao status quo), satisfação (pedido de desculpas, reconhecimento da violação) e garantias de não repetição (medidas para evitar que o ato volte a ocorrer). Essas garantias são uma consequência jurídica reconhecida pela Corte Internacional de Justiça (CIJ), como no caso LaGrand (2001), em que os EUA tiveram que garantir que não repetiriam a violação de direitos consulares.

  • (A) Correta: As garantias de não repetição são, sim, uma forma de reparação prevista no Direito Internacional, expressamente reconhecida pela CIJ como consequência jurídica do ato ilícito (ex.: caso LaGrand e Avena).

  • (B) Incorreta: A armadilha aqui é inverter a regra: se um movimento insurrecional toma o poder e vira o novo governo, seus atos são atribuídos ao Estado (o novo governo responde pelos atos do movimento que o criou). A regra de não atribuição só vale para insurretos que não chegam ao poder.

  • (C) Incorreta: O estado de necessidade exclui a ilicitude apenas em situações extremamente restritas (perigo grave e iminente para um interesse essencial do Estado), mas a banca quer que você lembre que ele não é a regra — a regra é que ele é uma exceção raríssima, e mesmo assim não exclui a obrigação de reparar danos causados a terceiros.

  • (D) Incorreta: O pedido de desculpas e o reconhecimento da responsabilidade são exatamente formas clássicas de satisfação, uma das modalidades de reparação. A banca tenta fazer você achar que "desculpas" é algo não jurídico, mas é formalmente previsto.

  • (E) Incorreta: Decisões judiciais internas, inclusive da suprema corte, são atos do Estado e podem gerar responsabilidade internacional se violarem obrigações internacionais (ex.: denegação de justiça). A "livre convicção" não é escudo para violar tratados de direitos humanos.

Fonte: CEBRASPE AGU Advogado 2022 Advogado da União. Reproduzida para fins de estudo.

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