Questão nº 70
Questão de Medicina · FGV TRF1 2024 (nº 70)
Considere um paciente de 28 anos, atleta profissional de triatlo, assintomático, que não apresenta histórico de problema de saúde prévio.
Um possível achado que corresponderia ao chamado "coração de atleta" é:
- Asepto interventricular de 18 mm;
- Bcavidade de ventrículo esquerdo > 55 mm; (alternativa correta)
- Crelação septo interventricular / parede posterior > 1,3;
- Dpresença de movimento sistólico anterior da valva mitral;
- Epersistência de hipertrofia ventricular esquerda após interrupção de 6 meses de treinamento.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
O "coração de atleta" é uma adaptação normal do coração ao exercício físico intenso e regular, tornando-o mais forte e eficiente. É crucial diferenciá-lo de doenças cardíacas, como a cardiomiopatia hipertrófica (CMH), que é um espessamento patológico do músculo cardíaco.
(A) Incorreta: Um septo interventricular de 18 mm é geralmente considerado um forte indicativo de cardiomiopatia hipertrófica (CMH), ultrapassando os limites fisiológicos do coração de atleta (que raramente excede 15-16 mm, mesmo em atletas de elite). A armadilha aqui é que o coração de atleta tem hipertrofia, mas há um limite para o que é considerado fisiológico.
(B) Correta: A dilatação da cavidade do ventrículo esquerdo (VE), com diâmetro diastólico final > 55 mm (e frequentemente > 60 mm em atletas de resistência), é um achado comum no coração de atleta, especialmente em modalidades como o triatlo, que envolvem grande componente de volume.
(C) Incorreta: Uma relação septo interventricular / parede posterior > 1,3 (ou > 1,5, dependendo da diretriz) sugere hipertrofia assimétrica, que é uma característica da cardiomiopatia hipertrófica (CMH). No coração de atleta, a hipertrofia tende a ser simétrica.
(D) Incorreta: O movimento sistólico anterior da valva mitral (SAM) é um achado clássico e patognomônico da cardiomiopatia hipertrófica (CMH), especialmente na forma obstrutiva, e não faz parte do coração de atleta.
(E) Incorreta: A persistência da hipertrofia ventricular esquerda após 3 a 6 meses de interrupção do treinamento é um critério para diferenciar a cardiomiopatia hipertrófica (CMH) do coração de atleta, pois a hipertrofia fisiológica do atleta deve regredir com o destreinamento.
Fonte: FGV TRF1 2024 Analista Judiciário - Medicina (Cardiologia) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.