Questão nº 58
Questão de Medicina · FGV TRF1 2024 (nº 58)
Um paciente de 65 anos, com história de tabagismo severo e hipertensão arterial mal controlada, apresenta dor retroesternal, súbita, intensa, tipo facada, irradiando para dorso.
Sinais vitais e ectoscopia: PA 180 x 120 mmHg; FC 92 bpm; pálido; sudoreico. Realiza angiotomografia de aorta, que demonstra "flap" proximal após emergência da artéria subclávia esquerda, com extensão até a linha diafragmática.
Os exames laboratoriais demonstram funções orgânicas normais.
Com base no caso descrito, a conduta inicial mais adequada para esse paciente é:
- Aanalgesia, betabloqueador venoso e vasodilatador intravenoso; (alternativa correta)
- Banalgesia, betabloqueador venoso, vasodilatador intravenoso e tratamento cirúrgico convencional eletivo;
- Canalgesia, betabloqueador venoso, vasodilatador intravenoso e tratamento cirúrgico convencional de emergência;
- Danalgesia, betabloqueador venoso, vasodilatador intravenoso e tratamento cirúrgico com endoprótese eletivo;
- Eanalgesia, betabloqueador venoso, vasodilatador intravenoso e tratamento cirúrgico com endoprótese de emergência.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
A dissecção aórtica é uma emergência médica onde a camada interna da aorta se rompe (formando um "flap"), permitindo que o sangue separe as camadas da parede do vaso; a conduta inicial para dissecções da aorta descendente (tipo B de Stanford) foca em estabilizar o paciente clinicamente.
- (A) Correta: Para a dissecção aórtica tipo B (que se inicia distalmente à artéria subclávia esquerda, como descrito no caso), a conduta inicial mais adequada é o tratamento clínico intensivo. Isso inclui analgesia para controlar a dor intensa, betabloqueadores venosos para reduzir a frequência cardíaca e a força de contração do ventrículo esquerdo (diminuindo o estresse de cisalhamento na parede da aorta), e vasodilatadores intravenosos (administrados após o controle da frequência cardíaca pelos betabloqueadores) para reduzir a pressão arterial a níveis seguros (PA sistólica entre 100-120 mmHg). O objetivo é estabilizar o paciente e prevenir a progressão da dissecção.
- (B) Incorreta: Embora inclua o tratamento clínico inicial correto, adicionar "tratamento cirúrgico convencional eletivo" não é a conduta inicial para uma dissecção tipo B não complicada. A cirurgia para tipo B é geralmente reservada para complicações (malperfusão, ruptura, dor ou hipertensão refratárias, expansão rápida) e não é eletiva no sentido de ser adiada sem urgência.
- (C) Incorreta: Inclui o tratamento clínico inicial, mas "tratamento cirúrgico convencional de emergência" é a conduta primária para dissecções tipo A (que envolvem a aorta ascendente) ou para dissecções tipo B complicadas. O caso não descreve complicações que exijam cirurgia de emergência imediata, e a conduta inicial para tipo B é médica. Armadilha da banca: O erro aqui é assumir que toda dissecção aórtica requer cirurgia de emergência, sem diferenciar o tipo (A vs. B) e a presença de complicações.
- (D) Incorreta: Semelhante à alternativa B, inclui o tratamento clínico, mas a "endoprótese eletiva" não é a conduta inicial para a dissecção tipo B. A reparação endovascular (TEVAR) é uma opção para dissecções tipo B, especialmente as complicadas, mas não é a primeira etapa do manejo em um paciente estável.
- (E) Incorreta: Semelhante à alternativa C, inclui o tratamento clínico, mas o "tratamento cirúrgico com endoprótese de emergência" é reservado para dissecções tipo B complicadas. A descrição do paciente não indica complicações que justifiquem uma intervenção endovascular de emergência como conduta inicial.
Fonte: FGV TRF1 2024 Analista Judiciário - Medicina (Cardiologia) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.