Questão nº 51

Questão de Medicina · FGV TRF1 2024 (nº 51)

FGV2024Analista Judiciário - Medicina (Cardiologia)Medicina
Gabarito: Dver comentário ↓

Um homem de 32 anos, previamente hígido, procura pronto atendimento com queixa de dor retroesternal em caráter de pontada, pior à inspiração profunda e ao decúbito dorsal, com discreto alívio ao se sentar e fletir o tronco, iniciada há 6 dias. Relata febre alta no início do quadro. Refere viagem longa de ônibus há 2 semanas, com pessoas "gripadas".
À ausculta cardíaca, apresenta som rangente, de alta tonalidade, diastólico e sistólico, pancardíaco. Eletrocardiograma mostra: infradesnivelamento de PR e supradesnivelamento segmento ST em diversas derivações. Exame laboratorial apresenta leucocitose e proteína C reativa aumentada.
A principal hipótese diagnóstica e o tratamento mais adequado são, respectivamente:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa D

A pericardite aguda é a inflamação da membrana que envolve o coração (pericárdio), geralmente causada por vírus, manifestando-se com dor torácica característica e alterações específicas no eletrocardiograma e ausculta.

(A) Incorreta: O infarto agudo do miocárdio (IAM) geralmente apresenta dor opressiva, não pontada, e não melhora ao sentar/inclinar; o ECG de IAM tem supradesnivelamento de ST localizado e sem infradesnivelamento de PR, e não há atrito pericárdico.
(B) Incorreta: O tromboembolismo pulmonar (TEP) causa dor pleurítica, mas tipicamente associada a dispneia e taquicardia, sem atrito pericárdico ou as alterações de ECG descritas.
(C) Incorreta: Assim como na alternativa B, os sintomas e achados clínicos não são compatíveis com tromboembolismo pulmonar.
(D) Correta: A dor retroesternal em pontada, pior à inspiração e decúbito dorsal, com alívio ao sentar e fletir o tronco (dor pleurítica), febre, atrito pericárdico (som rangente sistólico e diastólico), infradesnivelamento de PR e supradesnivelamento difuso de ST no ECG, e marcadores inflamatórios elevados (leucocitose, PCR) são achados clássicos de pericardite aguda. O tratamento de primeira linha para pericardite aguda de baixo risco é a combinação de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), como o ibuprofeno em doses elevadas, e colchicina.
(E) Incorreta: Embora seja pericardite aguda, o uso de corticoides não é o tratamento inicial mais adequado para um paciente previamente hígido, pois aumenta o risco de recorrência da doença e é reservado para casos refratários ou com contraindicações a AINEs/colchicina.

Fonte: FGV TRF1 2024 Analista Judiciário - Medicina (Cardiologia) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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