Questão nº 67
Questão de Direito Administrativo · FGV TCE-PA 2024 (nº 67)
No exercício de suas atribuições como auditor de controle externo do Tribunal de Contas do Estado do Pará, Vinícius verificou a existência de determinados atos administrativos que apresentam vícios que acredita serem sanáveis, razão pela qual passou a aprofundar o seu conhecimento com relação à convalidação, para fins de verificar a sua aplicabilidade e efeitos nas situações em análise.
Diante dessa situação hipotética, é correto afirmar, acerca do tema, que
- Aqualquer violação ao ordenamento jurídico é passível de convalidação, com efeitos ex nunc, independentemente de sua gravidade.
- Bentre os vícios que podem ser convalidados, com efeitos ex tunc, estão o desvio de finalidade e o vício de motivo.
- Cos vícios de competência e de forma, quando não essenciais ao ato administrativo, são passíveis de convalidação com efeitos ex tunc. (alternativa correta)
- Da convalidação não pode ser aplicada a nenhum vício em que haja violação à lei, restringindo-se às meras irregularidades, com efeitos ex nunc.
- Eapenas os vícios de objeto, quando plúrimo, podem ser convalidados com efeitos ex tunc.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
A convalidação é o ato pelo qual a Administração Pública corrige um ato administrativo que nasceu com um vício (defeito), tornando-o válido desde a sua origem, desde que esse vício seja sanável e não cause lesão ao interesse público nem a terceiros.
- (A) Incorreta: Não é qualquer violação ao ordenamento jurídico que é passível de convalidação; apenas os vícios sanáveis. Vícios graves ou que afetam a essência do ato não podem ser convalidados. Os efeitos da convalidação são, via de regra, ex tunc (retroativos), e não ex nunc (não retroativos).
- (B) Incorreta: Armadilha da banca! O desvio de finalidade e o vício de motivo são vícios insanáveis, pois atingem a essência e a legalidade do ato administrativo em seu mérito, não sendo passíveis de convalidação. Atos com esses vícios devem ser anulados, e não convalidados. Embora a convalidação tenha efeitos ex tunc, os vícios citados não são convalescíveis.
- (C) Correta: Os vícios de competência (quando a autoridade que praticou o ato não era a competente, mas outra com atribuições semelhantes poderia tê-lo feito) e de forma (quando a formalidade exigida não é essencial para a validade do ato) são, de fato, os tipos de vícios mais comuns passíveis de convalidação. Quando convalidados, os efeitos são ex tunc, ou seja, retroagem à data em que o ato foi praticado, como se ele nunca tivesse nascido com defeito.
- (D) Incorreta: A convalidação se aplica, sim, a vícios que configuram violação à lei, desde que sejam sanáveis. Não se restringe a "meras irregularidades" e seus efeitos são ex tunc, não ex nunc.
- (E) Incorreta: O vício de objeto é, em regra, insanável, pois se refere ao conteúdo do ato, que deve ser lícito, possível e determinado. A menção a "quando plúrimo" não altera essa regra e não o torna passível de convalidação.
Fonte: FGV TCE-PA 2024 Auditor de Controle Externo - Fiscalização - Direito (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.