Questão nº 9
Questão de Direito Constitucional · FGV TCE-ES 2022 (nº 9)
A Constituição do Estado Alfa, ao tratar do respectivo Tribunal de Justiça, dispôs sobre a constituição do seu Órgão Especial, considerando que o referido órgão contava com mais de vinte e cinco julgadores. Além disso, definiu as competências que seriam exercidas pelo Tribunal Pleno e pelo Órgão Especial.
À luz da sistemática estabelecida pela Constituição da República de 1988, é correto afirmar que a referida disciplina é:
- Ainconstitucional, considerando que o Órgão Especial deve ser criado pelo Regimento Interno, cabendo ao Tribunal Pleno definir que competências devem ser delegadas; (alternativa correta)
- Binconstitucional, considerando que o Órgão Especial, pelas próprias razões que justificam a sua criação, deve ter competências idênticas às do Tribunal Pleno;
- Cinconstitucional, considerando que o Tribunal de Justiça do Estado Alfa não tem o número mínimo de membros que autorize a constituição do Órgão Especial;
- Dconstitucional, desde que a proposta tenha sido encaminhada pelo Tribunal de Justiça, após prévia aprovação do Tribunal Pleno;
- Econstitucional, considerando que as competências do Tribunal de Justiça devem ser definidas na Constituição Estadual.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
O Órgão Especial é um grupo menor de juízes dentro de um Tribunal de Justiça (que é um tribunal grande, com muitos juízes) criado para agilizar decisões administrativas e judiciais. A Constituição Federal estabelece que as competências desse Órgão Especial devem ser delegadas pelo Tribunal Pleno (o conjunto de todos os juízes do tribunal) e definidas no seu Regimento Interno (as regras internas do próprio tribunal), e não diretamente pela Constituição Estadual.
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(A) Correta: A Constituição Federal (Art. 93, XI) estabelece que as atribuições do Órgão Especial são "delegadas do tribunal pleno". Isso significa que a Constituição Estadual não pode definir diretamente essas competências; elas devem ser delegadas pelo Tribunal Pleno e detalhadas no Regimento Interno do tribunal, tornando a disciplina da Constituição Estadual inconstitucional nesse ponto.
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(B) Incorreta: O Órgão Especial é criado justamente para delegar parte das competências, não para ter competências idênticas às do Tribunal Pleno, o que anularia o propósito de agilidade e eficiência.
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(C) Incorreta: A questão afirma que o Tribunal de Justiça do Estado Alfa "contava com mais de vinte e cinco julgadores", o que é o número mínimo exigido pela Constituição Federal (Art. 93, XI) para a criação do Órgão Especial.
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(D) Incorreta: A questão não trata do processo legislativo de criação da lei, mas sim da constitucionalidade do conteúdo da norma. Mesmo que a proposta tivesse sido encaminhada corretamente, a definição das competências do Órgão Especial pela Constituição Estadual seria inconstitucional por violar a autonomia do Tribunal Pleno em delegá-las.
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(E) Incorreta: Esta é a armadilha. Embora as competências gerais do Tribunal de Justiça sejam definidas na Constituição Estadual, as competências específicas do Órgão Especial são uma exceção a essa regra, pois a Constituição Federal exige que sejam "delegadas do tribunal pleno", e não definidas diretamente pela Constituição Estadual.
Fonte: FGV TCE-ES 2022 Conselheiro Substituto (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.