Questão nº 29

Questão de Direito Constitucional · FGV STN 2024 (nº 29)

FGV2024Auditor Federal de Finanças e Controle - Conhecimentos GeraisDireito Constitucional
Gabarito: Ever comentário ↓

Determinado ente da Administração Pública indireta da União, que desempenha atividade econômica, passou por uma ampla remodelagem de sua governança interna, com o aperfeiçoamento do seu programa de integridade.
Ao analisar a funcionalidade do órgão de controle interno, bem como a existência, ou não, de zonas de intercessão entre a sua atuação e a do controle externo, a comissão responsável pela reestruturação concluiu corretamente que, na perspectiva constitucional,

Resposta comentada

Gabarito Alternativa E

O conceito-chave é que o controle interno (feito pela própria Administração, dentro do órgão) e o controle externo (feito pelo Congresso Nacional com auxílio do TCU, sobre a União) são complementares e independentes, mas o interno tem o dever legal e constitucional de dar ciência ao externo sobre irregularidades que descobrir. Se não fizer isso, o agente do controle interno omite-se e pode ser responsabilizado pelos danos que essa omissão causar, pois a sua função não é só "fiscalizar por dentro", mas também alimentar o controle externo com informações.

  • (A) Incorreta: Não há hierarquia ou subordinação entre controle interno e externo; eles são independentes, cada um com suas atribuições constitucionais próprias, não havendo relação de mando entre eles.
  • (B) Incorreta: As atribuições são distintas e complementares: o interno atua na gestão e na fiscalização rotineira da própria administração, enquanto o externo atua na fiscalização contábil, financeira e orçamentária de forma ampla, com competências exclusivas (como julgar contas), não podendo o interno simplesmente "substituir" o externo.
  • (C) Incorreta: A separação é orgânica (são estruturas diferentes), mas não há "total separação" de informações; ao contrário, há comunicação obrigatória de irregularidades, e o controle externo pode e deve conhecer os achados do interno para exercer sua função.
  • (D) Incorreta: A Constituição Federal define as atribuições mínimas do controle interno (como avaliar o cumprimento de metas e comprovar a legalidade de atos), não podendo um ato regulamentar simplesmente suprimir a avaliação da execução orçamentária, que é uma função essencial e obrigatória.
  • (E) Correta: Exatamente. A Constituição impõe que, sob pena de responsabilidade solidária, os responsáveis pelo controle interno devem dar ciência de qualquer irregularidade ao Tribunal de Contas (controle externo). Se não o fizerem, e esse silêncio contribuir para o dano, eles respondem pela totalidade do prejuízo, podendo ainda o ente público mover ação regressiva contra os verdadeiros causadores do dano (e contra os próprios agentes omissos). A pegadinha está em achar que a omissão só gera responsabilidade "secundária" ou "subsidiária"; na verdade, a omissão do controle interno torna o agente corresponsável direto pelo dano total, pois a sua função de "vigia" é justamente evitar que o dano ocorra ou se perpetue.

Fonte: FGV STN 2024 Auditor Federal de Finanças e Controle - Conhecimentos Gerais (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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