Questão nº 55
Questão de Ginecologia e Obstetrícia · FGV PMAC 2023 (nº 55)
Gestante trazida pelo corpo de Bombeiros após quadro de convulsão tônico-clônica em via pública é recebida pela equipe do plantão obstétrico. Ela encontra-se confusa e não consegue passar informações sobre sua gestação atual. Ao exame observa-se PA 170x100mmHg, fundo uterino medindo 30 cm, BCF 155bpm, ausência de contrações uterinas, colo fechado, MMII edema 3+/4+. Exames laboratoriais evidenciam LDH 800UI/L, TGP 150, plaquetas 100.000/mm³, EAS com proteinúria.
Assinale a opção que apresenta o provável diagnóstico e a melhor conduta inicial.
- APré-eclâmpsia + Síndrome HELLP / Início de Sulfato de Magnésio e parto imediato pelo risco iminente de eclâmpsia.
- BPré-eclâmpsia + Síndrome HELLP / Estabilização com Sulfato de Magnésio, anti-hipertensivos. Monitorização materno-fetal. Avaliação do bem-estar fetal. (alternativa correta)
- CPré-eclâmpsia + epilepsia a esclarecer / Estabilização com anticonvulsivantes, anti-hipertensivos. Monitorização materno-fetal.
- DHipertensão arterial não classificada pela ausência do exame de proteinúria de 24h / Monitorização materno-fetal. Avaliação do bem-estar fetal.
- EHipertensão arterial não classificada pela ausência do exame de proteinúria de 24h / Estabilização com Sulfato de Magnésio, anti-hipertensivos. Monitorização materno-fetal. Avaliação do bem-estar fetal.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
O conceito-chave aqui é reconhecer a eclâmpsia (convulsão em gestante com hipertensão) e a Síndrome HELLP (hemólise, enzimas hepáticas elevadas, plaquetas baixas) como complicações graves da pré-eclâmpsia, e saber que a conduta inicial prioritária é a estabilização materna.
- (A) Incorreta: O diagnóstico está correto, mas a paciente já teve eclâmpsia, então não é um "risco iminente". Além disso, a conduta inicial para eclâmpsia/HELLP é primeiro estabilizar a mãe (controlar convulsões e pressão arterial) antes de proceder ao parto, que é o tratamento definitivo.
- (B) Correta: O diagnóstico de Pré-eclâmpsia (hipertensão + proteinúria) e Síndrome HELLP (LDH elevado, TGP elevado, plaquetas baixas) é preciso. A conduta inicial de estabilização com Sulfato de Magnésio (para prevenir/tratar convulsões), anti-hipertensivos (para controlar a PA), e monitorização materno-fetal é a abordagem correta e prioritária para uma paciente com eclampsia e HELLP.
- (C) Incorreta: Embora a epilepsia seja um diferencial, a presença de hipertensão grave, proteinúria e alterações laboratoriais da Síndrome HELLP tornam a eclâmpsia o diagnóstico mais provável. Além disso, o tratamento de escolha para a convulsão eclâmptica é o Sulfato de Magnésio, não "anticonvulsivantes" de forma genérica.
- (D) Incorreta: A paciente apresenta proteinúria no EAS, o que, junto com a hipertensão e os outros achados graves, é suficiente para o diagnóstico de pré-eclâmpsia grave, mesmo sem a proteinúria de 24h. A Síndrome HELLP também está claramente presente.
- (E) Incorreta: O diagnóstico de "Hipertensão arterial não classificada" é incorreto pelos mesmos motivos da alternativa D. Embora a conduta listada (Sulfato de Magnésio, anti-hipertensivos, monitorização) seja apropriada para os sintomas, a premissa diagnóstica está errada.
Fonte: FGV PMAC 2023 2º Ten - Médico Obstetra e Ginecologista (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.