Questão nº 44
Questão de Ginecologia e Obstetrícia · FGV PMAC 2023 (nº 44)
O câncer de colo uterino é a quarta causa de câncer mais comum entre as mulheres, apesar dos métodos de rastreio disponíveis. Paciente N.M.S., 30 anos, nuligesta, com colpocitologia sugerindo lesão intraepitelial escamosa de alto grau (HSIL) foi encaminhada para colposcopia. O exame foi adequado, com junção escamocolunar (JEC) totalmente visível ectocervical, zona de transformação tipo 1, presença de achados maiores concordantes com a suspeita de HSIL. Não se observaram sinais de invasão ou doença glandular.
Indaga-se então: É possível tratar na mesma avaliação? A resposta correta à essa indagação é:
- ANão. A biópsia é necessária para confirmação, pois a colposcopia sempre tem baixa acurácia.
- BSim. O método ver e tratar pode ser indicado mesmo quando inexiste concordância cito-colposcópica, desde que com JEC visível ectocervical, lesão restrita ao colo e sem sinais de invasão ou doença glandular.
- CNão. A biópsia é obrigatória pois evitamos tratamentos em nuligestas pelo risco futuro de incompetência istmo cervical.
- DNão. É necessário a genotipagem do HPV para confirmar a presença de HPV de alto risco dado o alto percentual de colpocitologias falso positivas.
- ESim. O método ver e tratar é indicado pois existe concordância cito-colposcópica, JEC visível ectocervical, lesão restrita ao colo e sem sinais de invasão ou doença glandular. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
O método "ver e tratar" (ou "see and treat") permite que o tratamento de lesões pré-cancerígenas do colo uterino seja realizado na mesma consulta da colposcopia, sem a necessidade de aguardar o resultado de uma biópsia, desde que critérios específicos de segurança e confiança diagnóstica sejam atendidos.
(A) Incorreta: A colposcopia, quando realizada por um profissional experiente e com achados concordantes com a citologia, tem acurácia suficiente para indicar o "ver e tratar" em casos selecionados. A afirmação de que "sempre tem baixa acurácia" é falsa.
(B) Incorreta: A concordância cito-colposcópica (ou seja, a citologia e a colposcopia apontarem para o mesmo grau de lesão) é um critério fundamental para a indicação do "ver e tratar". A ausência de concordância exige biópsia para esclarecimento. Esta é a armadilha: a alternativa tenta validar o "ver e tratar" mesmo sem concordância, o que é um erro grave na prática clínica.
(C) Incorreta: Embora a nuliparidade (nuligesta) seja um fator a ser considerado na escolha do tipo de tratamento (buscando opções menos invasivas para preservar a fertilidade), ela não contraindica o tratamento de uma lesão de alto grau nem exige obrigatoriamente uma biópsia prévia se os critérios do "ver e tratar" forem preenchidos. O tratamento é necessário para prevenir o câncer.
(D) Incorreta: A genotipagem do HPV é útil no rastreamento e triagem de lesões de baixo grau, mas uma citologia de HSIL já indica uma lesão de alto risco que exige investigação e tratamento, independentemente do resultado do HPV. Além disso, a taxa de falso-positivos para HSIL em colpocitologia não é "alta".
(E) Correta: O caso clínico apresenta todos os critérios para a aplicação do método "ver e tratar": concordância cito-colposcópica (HSIL na citologia e achados maiores compatíveis com HSIL na colposcopia), JEC visível ectocervical (garantindo que toda a zona de transformação está acessível e avaliada), lesão restrita ao colo e sem sinais de invasão ou doença glandular. Esses fatores conferem alta segurança para o tratamento imediato.
Fonte: FGV PMAC 2023 2º Ten - Médico Obstetra e Ginecologista (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.