Questão nº 57
Questão de Urologia · FGV PM-AM 2021 (nº 57)
Paciente com tumor em teto da bexiga é submetido a uma ressecção transuretral. No pós-operatório apresentou dor pélvica e distensão abdominal. A tomografia computadorizada com contraste venoso mostra enchimento vesical e presença de pouco contraste entre as alças intestinais. A conduta imediata é
- Acolocar um cateter vesical e mantê-lo por alguns dias.
- Bcistoscopia para determinar o tamanho da lesão vesical.
- Ccirurgia por via abdominal para correção da lesão vesical e investigação de outras lesões associadas. (alternativa correta)
- Dantibioticoterapia e observação clínica.
- Efazer uma uretrocistografia para determinar com mais precisão o tamanho da lesão da bexiga.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
A perfuração vesical (da bexiga) após cirurgia pode ser intraperitoneal (o conteúdo da bexiga vaza para a cavidade abdominal, onde estão os intestinos) ou extraperitoneal (o vazamento fica contido nos tecidos ao redor da bexiga, fora da cavidade abdominal). A diferença é crucial para o tratamento.
- (A) Incorreta: Colocar um cateter vesical e mantê-lo por alguns dias é o tratamento padrão para perfurações extraperitoneais pequenas, onde o vazamento é contido e não há contaminação da cavidade abdominal. No caso descrito, a presença de contraste entre as alças intestinais na tomografia indica claramente uma perfuração intraperitoneal, que não pode ser tratada apenas com cateter. Armadilha: A banca tenta te induzir a pensar no tratamento mais conservador para perfurações vesicais, mas ignora a localização crítica do vazamento.
- (B) Incorreta: A cistoscopia (olhar dentro da bexiga com uma câmera) em um quadro de perfuração intraperitoneal pode introduzir mais líquido na cavidade abdominal, piorando a peritonite. A tomografia já forneceu a informação essencial de que há vazamento intraperitoneal, e a prioridade é o tratamento cirúrgico, não um diagnóstico mais detalhado da lesão por via endoscópica.
- (C) Correta: A presença de contraste entre as alças intestinais na tomografia é um sinal inequívoco de perfuração intraperitoneal. Este tipo de perfuração requer cirurgia por via abdominal (laparotomia ou laparoscopia) para fechar o defeito na bexiga, lavar a cavidade abdominal e prevenir complicações graves como peritonite e sepse. A investigação de outras lesões associadas é uma prática cirúrgica prudente.
- (D) Incorreta: Antibioticoterapia e observação clínica são insuficientes e perigosas para uma perfuração intraperitoneal. A não intervenção cirúrgica levaria a um quadro de peritonite generalizada e sepse, com alto risco de mortalidade.
- (E) Incorreta: A uretrocistografia (exame que injeta contraste na bexiga para ver vazamentos) seria redundante e potencialmente prejudicial. A tomografia com contraste venoso já demonstrou a perfuração intraperitoneal. Injetar mais contraste na bexiga pode agravar a contaminação da cavidade abdominal, e o objetivo principal já não é mais apenas "determinar o tamanho da lesão", mas sim tratá-la cirurgicamente.
Fonte: FGV PM-AM 2021 Oficial da PM - Médico Urologista (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.