Questão nº 67
Questão de Ginecologia e Obstetrícia · FGV PM-AM 2021 (nº 67)
Jovem, 23 anos, procurou atendimento de emergência por apresentar dor no baixo ventre com náuseas e vômitos e febre há quatro dias. Ao exame ginecológico foi notada presença de fio de DIU e dor intensa à mobilização uterina.
Foi realizado exame de ultrassonografia que revelou espessamento da parede tubária direita com líquido no seu interior. A conduta é
- Auso de antibióticos por via oral e repouso absoluto.
- Blaparotomia exploradora para drenagem tubária.
- Cvideolaparoscopia com salpingectomia unilateral.
- Dantibioticoterapia parenteral e após 6 horas retirar o DIU. (alternativa correta)
- Edrenagem do líquido tubário por ultrassonografia.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
Em casos de Doença Inflamatória Pélvica (DIP) grave, especialmente com a presença de um DIU (Dispositivo Intrauterino), o tratamento inicial foca em combater a infecção com antibióticos potentes, e a remoção do DIU é feita em um momento oportuno para evitar piora.
- (A) Incorreta: A apresentação clínica (febre, náuseas, vômitos, dor intensa, espessamento tubário com líquido) indica DIP moderada a grave, que requer antibioticoterapia parenteral (injetável) e não apenas oral, devido à maior eficácia e absorção.
- (B) Incorreta: A laparotomia exploradora é uma cirurgia invasiva e não é a conduta inicial para DIP com líquido tubário, a menos que haja ruptura de abscesso ou falha do tratamento clínico.
- (C) Incorreta: A videolaparoscopia com salpingectomia (remoção da trompa) é um procedimento cirúrgico definitivo e não é a primeira linha de tratamento para DIP, que é primariamente clínica. É reservada para casos de abscesso tubo-ovariano que não respondem ao tratamento ou em situações específicas.
- (D) Correta: A antibioticoterapia parenteral é essencial para DIP grave. A presença do DIU, embora não seja a causa da infecção, pode atuar como um foco bacteriano, dificultando a erradicação da infecção. No entanto, a remoção imediata do DIU pode, teoricamente, disseminar a infecção. Por isso, a conduta correta é iniciar os antibióticos parenterais para atingir níveis terapêuticos e, após algumas horas (geralmente 6 a 24 horas), remover o DIU, permitindo que os antibióticos comecem a controlar a infecção antes da manipulação. A armadilha da banca aqui é a tentação de remover o DIU imediatamente, mas a prioridade é a cobertura antibiótica inicial.
- (E) Incorreta: A drenagem do líquido tubário por ultrassonografia pode ser considerada para abscessos tubo-ovarianos grandes e bem definidos que não respondem aos antibióticos, mas não é a conduta inicial para "líquido no seu interior" (que pode ser pus ou inflamação) e não substitui a antibioticoterapia.
Fonte: FGV PM-AM 2021 Oficial da PM - Médico Ginecologista (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.