Questão nº 62

Questão de Ginecologia e Obstetrícia · FGV PM-AM 2021 (nº 62)

FGV2021Oficial da PM - Médico GinecologistaGinecologia e Obstetrícia
Gabarito: Aver comentário ↓

Mulher, 32 anos, nuligesta, foi submetida à conização eletrocirúrgica por NIC 3. O resultado histopatológico evidenciou carcinoma escamoso com profundidade de invasão de 1,2 mm; margens livres, sem invasão do espaço linfovascular.
A conduta é

Resposta comentada

Gabarito Alternativa A

O conceito-chave é que um carcinoma microinvasor do colo do útero (FIGO IA1), quando completamente excisado com margens livres e sem invasão linfovascular, pode ser tratado de forma conservadora, especialmente em mulheres jovens que desejam preservar a fertilidade.

  • (A) Correta: A profundidade de invasão de 1,2 mm, margens livres e ausência de invasão do espaço linfovascular classificam o caso como carcinoma microinvasor FIGO IA1. Nesses casos, a conização é considerada curativa e o seguimento citológico e colposcópico é a conduta padrão, preservando a fertilidade da paciente.
  • (B) Incorreta: A linfadenectomia pélvica não é indicada para carcinoma FIGO IA1 sem invasão do espaço linfovascular, pois o risco de metástase linfonodal é extremamente baixo (<1%).
  • (C) Incorreta: Uma nova conização seria considerada se as margens estivessem comprometidas ou se houvesse dúvidas sobre a profundidade de invasão ou a presença de invasão linfovascular. No caso, as margens estão livres e a invasão é claramente IA1.
  • (D) Incorreta: A histerectomia simples seria uma opção para o FIGO IA1 se a paciente não desejasse preservar a fertilidade, se as margens estivessem comprometidas após a conização e não fosse possível nova conização, ou por preferência da paciente. No entanto, para uma mulher jovem e nuligesta com excisão completa, é um tratamento excessivo que sacrifica a fertilidade. Armadilha: A banca tenta fazer o aluno pensar que "câncer = remover o útero", mas para o câncer microinvasor (IA1) completamente excisado, isso não é necessário.
  • (E) Incorreta: A traquelectomia radical é uma cirurgia para preservar a fertilidade em estágios mais avançados (tipicamente FIGO IA2 com invasão linfovascular ou IB1) onde a lesão é maior que um IA1, mas ainda restrita ao colo. Para um carcinoma IA1 completamente excisado, é um tratamento excessivo.

Fonte: FGV PM-AM 2021 Oficial da PM - Médico Ginecologista (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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