Questão nº 60
Questão de Ginecologia e Obstetrícia · FGV PM-AM 2021 (nº 60)
Mulher, 46 anos, foi submetida à histerectomia total abdominal por mioma uterino há 3 meses. Refere ter realizado conização há 16 anos, trazendo laudo histopatológico de NIC III com margens livres e, que continuou fazendo seu rastreio de forma regular.
Segundo as Diretrizes Brasileiras para o rastreamento do câncer do colo do útero a conduta é
- Adescontinuar o exame citológico.
- Brealizar pesquisa vaginal de HPV 16.
- Cmanter o rastreio citológico trienal. (alternativa correta)
- Drealizar vaginoscopia anual.
- Epesquisar p16 e ki 67.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
Após uma histerectomia total (remoção do útero e do colo), o rastreamento do câncer do colo do útero (que passa a ser rastreamento de câncer de vagina) só pode ser interrompido se a cirurgia foi realizada por uma condição benigna E a mulher nunca teve lesões de alto grau (NIC II/III) ou câncer. Se ela teve um histórico de lesões de alto grau, o rastreamento deve continuar.
- (A) Incorreta: Descontinuar o exame citológico seria a conduta se a histerectomia tivesse sido por doença benigna E a paciente nunca tivesse tido lesão de alto grau (NIC II/III). Como ela tem histórico de NIC III, o rastreamento deve ser mantido.
- (B) Incorreta: A pesquisa de HPV, embora importante, não substitui o rastreamento citológico como método principal de seguimento para pacientes com histórico de NIC III pós-histerectomia, conforme as diretrizes para este cenário específico. Além disso, a pesquisa de apenas HPV 16 é incompleta, o ideal seria para HPV de alto risco.
- (C) Correta: A paciente tem histórico de NIC III, o que a coloca em um grupo de risco para lesões vaginais (VAIN) mesmo após a histerectomia. As Diretrizes Brasileiras recomendam manter o rastreamento citológico da cúpula vaginal (a parte superior da vagina onde o colo costumava estar) em mulheres com história de lesão de alto grau (NIC II/III) ou câncer, mesmo após histerectomia total por doença benigna. A frequência trienal (a cada 3 anos) é o padrão para seguimento após tratamento de NIC III com margens livres e citologias negativas subsequentes.
- (D) Incorreta: A vaginoscopia é um exame complementar, utilizado para investigar alterações visíveis ou citologias anormais, não um método de rastreamento de rotina.
- (E) Incorreta: A pesquisa de p16 e Ki-67 são marcadores imuno-histoquímicos usados para auxiliar no diagnóstico histopatológico de lesões, não são métodos de rastreamento primário ou de seguimento citológico.
Fonte: FGV PM-AM 2021 Oficial da PM - Médico Ginecologista (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.