Questão nº 52
Questão de Ginecologia e Obstetrícia · FGV PM-AM 2021 (nº 52)
Mulher, 60 anos, com sangramento pós-menopausa foi submetida à biópsia de endométrio com diagnóstico histopatológico de adenocarcinoma de endométrio, tipo endometrióide, G2. Foi realizada histerectomia com salpingo-ooforectomia bilateral e o exame de congelação evidenciou invasão miometrial < 50%. A conduta é
- Aseguimento clínico. (alternativa correta)
- Blinfadenectomia sistemática.
- Cquimioterapia adjuvante.
- Dradioterapia externa.
- Ebraquiterapia.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
Conceito-chave: O tratamento do câncer de endométrio é determinado principalmente pelo estadiamento (a extensão da doença), que considera o tipo de tumor, seu grau de diferenciação e a profundidade da invasão no músculo do útero (miométrio). Para tumores de baixo risco, a cirurgia é frequentemente o tratamento definitivo.
(A) Correta: seguimento clínico. Para o adenocarcinoma de endométrio tipo endometrióide, G2, com invasão miometrial menor que 50% (classificado como Estágio IA), a histerectomia com salpingo-ooforectomia bilateral é geralmente curativa. A paciente é considerada de baixo risco para recorrência, não necessitando de terapia adjuvante adicional, sendo o acompanhamento regular a conduta padrão.
(B) Incorreta: linfadenectomia sistemática. Para pacientes com adenocarcinoma endometrióide G1 ou G2 e invasão miometrial < 50% (Estágio IA), o risco de metástase linfonodal é muito baixo. Nesses casos de baixo risco, a linfadenectomia sistemática não é rotineiramente indicada, pois não melhora a sobrevida e aumenta a morbidade. A armadilha da banca aqui é sugerir uma intervenção adicional desnecessária para um caso de baixo risco, onde a cirurgia já foi considerada suficiente.
(C) Incorreta: quimioterapia adjuvante. A quimioterapia é reservada para estágios mais avançados da doença (III ou IV), tumores de alto grau (G3) ou histologias de alto risco (como seroso ou células claras), ou em casos de recorrência, não sendo indicada para o Estágio IA de baixo risco.
(D) Incorreta: radioterapia externa. A radioterapia externa é utilizada em casos de maior risco de recorrência local (como invasão miometrial profunda, invasão do estroma cervical, metástase linfonodal ou histologias agressivas). Para o Estágio IA de baixo risco, não há benefício comprovado que justifique os efeitos colaterais.
(E) Incorreta: braquiterapia. A braquiterapia vaginal pode ser considerada para pacientes de risco intermediário (por exemplo, Estágio IB, G3, ou alguns casos de G2 com outros fatores de risco) para reduzir o risco de recorrência na cúpula vaginal. No entanto, para o Estágio IA, G2, com invasão miometrial superficial, o risco de recorrência vaginal é muito baixo, e a braquiterapia não é rotineiramente recomendada.
Fonte: FGV PM-AM 2021 Oficial da PM - Médico Ginecologista (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.