Questão nº 76

Questão de Gastroenterologia · FGV PM-AM 2021 (nº 76)

FGV2021Oficial da PM - Médico GastroenterologistaGastroenterologia
Gabarito: Cver comentário ↓

Mulher de 60 anos, em uso de ácido acetilsalicílico e clopidogrel por ter apresentado ataque isquêmico transitório há 1 ano, apresenta pólipo pediculado de 1,5 cm em cólon esquerdo com indicação de polipectomia com alça diatérmica.
Em relação ao manejo dos medicamentos, é correto afirmar que

Resposta comentada

Gabarito Alternativa C

O manejo de medicamentos antiplaquetários antes de procedimentos invasivos exige um cuidadoso equilíbrio entre o risco de sangramento (do procedimento) e o risco de trombose (do paciente). Para procedimentos com alto risco de sangramento, como a polipectomia com alça diatérmica, e em pacientes com alto risco de eventos trombóticos (como histórico de AIT), a decisão de suspender ou manter os medicamentos é crucial.

  • (A) Incorreta: Suspender ambos os medicamentos (AAS e clopidogrel) em um paciente com alto risco trombótico (histórico de AIT) aumenta significativamente o risco de um novo evento isquêmico, o que geralmente é considerado mais perigoso do que o risco de sangramento associado à manutenção do AAS.
  • (B) Incorreta: Manter o clopidogrel, que é um antiplaquetário potente, em um procedimento de alto risco de sangramento como a polipectomia com alça diatérmica, aumentaria inaceitavelmente o risco de hemorragia. Suspender o AAS também não é a melhor conduta para um paciente de alto risco trombótico.
  • (C) Correta: Para pacientes com alto risco trombótico (como histórico de AIT) submetidos a procedimentos endoscópicos de alto risco de sangramento (como polipectomia com alça diatérmica), a recomendação atual é geralmente manter o ácido acetilsalicílico (AAS) devido ao seu menor risco de sangramento em comparação com o clopidogrel e o alto risco de trombose se suspenso. O clopidogrel, por ser um antiplaquetário mais potente e com maior risco de sangramento, deve ser suspenso cerca de 5 a 7 dias antes do procedimento para permitir a renovação plaquetária e reduzir o risco hemorrágico.
  • (D) Incorreta: A armadilha aqui é a ideia de que "se um é suspenso, o outro também deveria ser para segurança máxima". No entanto, suspender o AAS em um paciente com alto risco trombótico aumenta o risco de eventos isquêmicos, o que geralmente supera o benefício de reduzir o sangramento em procedimentos de alto risco, onde o AAS pode ser mantido com segurança relativa.
  • (E) Incorreta: A heparina (terapia de ponte ou bridging) é tipicamente utilizada para pacientes que suspendem anticoagulantes orais (como varfarina ou DOACs) e não para antiplaquetários. A heparina não substitui a ação antiplaquetária e introduziria um risco adicional de sangramento sem o benefício adequado para a prevenção de eventos trombóticos relacionados à suspensão de antiplaquetários.

Fonte: FGV PM-AM 2021 Oficial da PM - Médico Gastroenterologista (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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