Questão nº 61

Questão de Gastroenterologia · FGV PM-AM 2021 (nº 61)

FGV2021Oficial da PM - Médico GastroenterologistaGastroenterologia
Gabarito: Ever comentário ↓

Em relação ao tratamento da hepatite B, assinale a afirmativa correta.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa E

O tratamento da hepatite B crônica visa suprimir a replicação viral para prevenir a progressão da doença hepática, como cirrose e câncer de fígado. A escolha do tratamento depende de fatores como a fase da infecção, carga viral, níveis de enzimas hepáticas e grau de fibrose.

  • (A) Incorreta: A soroconversão para anti-HBs (perda do HBsAg e aparecimento do anti-HBs) é o objetivo ideal, mas é um evento raro com os tratamentos atuais, ocorrendo em uma pequena porcentagem de pacientes. O objetivo primário é a supressão viral sustentada.
  • (B) Incorreta: O interferon é contraindicado ou usado com extrema cautela em pacientes com cirrose descompensada devido ao risco de exacerbar a descompensação hepática e causar efeitos adversos graves. Nesses casos, análogos de nucleosídeos/nucleotídeos (como tenofovir ou entecavir) são preferidos por serem mais seguros e eficazes.
  • (C) Incorreta: Nem todo paciente com hepatite B crônica necessita de tratamento medicamentoso imediato. A decisão de tratar é individualizada e baseada em critérios como carga viral (HBV DNA), níveis de ALT, grau de fibrose hepática e presença de cirrose. Muitos pacientes na fase de "portador inativo" são apenas monitorados. Armadilha da banca: A ideia de que "quanto antes, melhor" é comum em muitas doenças, mas na hepatite B crônica, o tratamento precoce indiscriminado não é a abordagem correta para todos os pacientes.
  • (D) Incorreta: A coinfecção com o vírus da hepatite delta (HDV) torna a doença mais grave. O tratamento padrão para a hepatite D é o interferon peguilado. A lamivudina é um antiviral para hepatite B que tem alta taxa de resistência e não é a primeira escolha nem para HBV, e tem eficácia limitada contra o HDV.
  • (E) Correta: O Tenofovir disoproxil fumarato (TDF), um dos antivirais mais eficazes para hepatite B, é conhecido por seus potenciais efeitos adversos a longo prazo, incluindo nefrotoxicidade (disfunção renal, síndrome de Fanconi) e redução da densidade mineral óssea. Por isso, pacientes em uso de TDF requerem monitoramento da função renal e da saúde óssea. Uma formulação mais recente, o tenofovir alafenamida (TAF), foi desenvolvida para ter um perfil de segurança renal e óssea melhor.

Fonte: FGV PM-AM 2021 Oficial da PM - Médico Gastroenterologista (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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