Questão nº 54
Questão de Gastroenterologia · FGV PM-AM 2021 (nº 54)
Homem de 50 anos, com história de tratamento de infecção cutânea com clindamicina há 2 semanas, evoluiu com diarreia acompanhada de hipotensão arterial e distensão abdominal. Análise fecal mostrou a presença de toxinas de Clostridium difficile e PCR positivo para Clostridium difficile.
Assinale a alternativa que apresenta o tratamento mais adequado para esse paciente.
- AVancomicina oral associada a metronidazol endovenoso. (alternativa correta)
- BVancomicina endovenosa.
- CMetronidazol por via oral associado a probióticos.
- DRifampicina por via oral.
- ETransplante fecal.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
A infecção por Clostridium difficile (CDI) é uma doença intestinal causada por uma bactéria que produz toxinas, geralmente após o uso de antibióticos que alteram a flora intestinal. A gravidade da CDI é determinada pelos sintomas, e casos graves com sinais de complicação (como hipotensão e distensão abdominal) exigem tratamento mais agressivo.
(A) Correta: A presença de hipotensão arterial e distensão abdominal indica um quadro de CDI grave e complicado (fulminante). Nesses casos, o tratamento recomendado pelas diretrizes é a vancomicina oral (que age diretamente no intestino, onde a bactéria está) associada ao metronidazol endovenoso (que tem ação sistêmica e pode atingir outras áreas, como a parede intestinal, em casos de inflamação grave ou suspeita de bacteremia).
(B) Incorreta: A vancomicina endovenosa não é eficaz para o tratamento da CDI, pois não atinge concentrações terapêuticas no lúmen intestinal, onde a bactéria Clostridium difficile reside e produz suas toxinas.
(C) Incorreta: O metronidazol por via oral é o tratamento de escolha para casos de CDI de leve a moderada gravidade. No entanto, o paciente apresenta sinais de gravidade (hipotensão e distensão abdominal), que contraindicam o uso isolado de metronidazol oral. Probióticos não são tratamento primário para CDI, especialmente em casos graves. Armadilha da banca: O metronidazol é usado para CDI, mas a via e a gravidade do caso são cruciais. Para casos graves, ele é usado IV, e não como monoterapia oral.
(D) Incorreta: A rifampicina não é um antibiótico de primeira linha para o tratamento da CDI e não está nas diretrizes para casos graves ou fulminantes.
(E) Incorreta: O transplante fecal (ou transplante de microbiota fecal) é uma opção terapêutica eficaz, mas é reservado principalmente para casos de CDI recorrente (após falha de tratamentos antimicrobianos) e não para o tratamento inicial de um episódio grave.
Fonte: FGV PM-AM 2021 Oficial da PM - Médico Gastroenterologista (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.