Questão nº 65
Questão de Cardiologia · FGV PM-AM 2021 (nº 65)
Mulher de 58 anos com hipertensão arterial, diabetes mellitus e dislipidemia foi encaminhada para a realização de um risco cirúrgico para colecistectomia por videolaparoscopia. Relata que caminha 3 vezes por semana durante 1 hora, sem limitações. Está em uso de losartana, atenolol, metformina e sinvastatina. Frequência cardíaca: 66 bpm; pressão arterial: 126 x 74 mmHg e o restante do exame físico normal. Eletrocardiograma e laboratório sem alterações.
Em relação ao manejo do risco cardiovascular na avaliação pré-operatória, assinale a opção mais adequada.
- AA paciente deverá realizar um teste não invasivo para pesquisa de isquemia miocárdica.
- BA paciente deverá manter os anti-hipertensivos de uso habitual e ser liberada para a cirurgia sem outros exames cardiológicos. (alternativa correta)
- CA paciente não precisa de outros exames cardiológicos, mas deverá suspender os anti-hipertensivos 48 horas antes do procedimento.
- DA paciente poderá ser liberada para o procedimento com as medicações de uso habitual, mas se fosse uma cirurgia vascular estaria indicada uma coronariografia pré-operatória.
- EA paciente não poderá ser liberada para o procedimento, devido ao risco clínico e cirúrgico proibitivo.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
O manejo do risco cardiovascular pré-operatório foca em identificar pacientes com maior probabilidade de eventos cardíacos durante ou após a cirurgia, priorizando a capacidade funcional e o tipo de cirurgia para decidir sobre exames adicionais.
- (A) Incorreta: A paciente apresenta excelente capacidade funcional (caminha 1 hora, 3 vezes por semana, sem limitações), o que corresponde a mais de 4 METs. Em pacientes assintomáticos com boa capacidade funcional e submetidos a cirurgias de risco baixo a intermediário (como a colecistectomia videolaparoscópica), testes não invasivos para isquemia miocárdica não são rotineiramente indicados, mesmo com múltiplos fatores de risco. A boa capacidade funcional é o melhor preditor de um bom prognóstico.
- (B) Correta: A paciente tem boa capacidade funcional, comorbidades controladas (pressão arterial e frequência cardíaca normais com medicação), ECG e exames laboratoriais sem alterações, e será submetida a uma cirurgia de risco baixo a intermediário. Nessas condições, as diretrizes atuais recomendam a manutenção das medicações de uso habitual (como betabloqueadores e ARBs) e a liberação para a cirurgia sem a necessidade de exames cardiológicos adicionais.
- (C) Incorreta: Suspender anti-hipertensivos, especialmente betabloqueadores (atenolol), 48 horas antes da cirurgia pode levar a um efeito rebote, com aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial, o que é prejudicial no período perioperatório. Embora inibidores da ECA/ARBs (losartana) possam ser suspensos na manhã da cirurgia para evitar hipotensão intraoperatória, a suspensão por 48 horas não é a conduta padrão e pode ser excessiva.
- (D) Incorreta: Embora a primeira parte esteja correta ("liberada para o procedimento com as medicações de uso habitual"), a afirmação de que uma coronariografia pré-operatória estaria indicada em caso de cirurgia vascular é incorreta. Mesmo para cirurgias de alto risco (como as vasculares), a coronariografia invasiva não é um exame de rotina pré-operatório, sendo reservada para pacientes com evidência de doença coronariana grave que necessitem de revascularização antes da cirurgia não cardíaca, ou para elucidação de isquemia grave em testes não invasivos.
- (E) Incorreta: A paciente não apresenta risco clínico ou cirúrgico proibitivo. Pelo contrário, sua boa capacidade funcional, controle das comorbidades e o tipo de cirurgia indicam um risco cardiovascular aceitável para o procedimento.
Fonte: FGV PM-AM 2021 Oficial da PM - Médico Cardiologista (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.