Questão nº 50

Questão de Cardiologia · FGV PM-AM 2021 (nº 50)

FGV2021Oficial da PM - Médico CardiologistaCardiologia
Gabarito: Bver comentário ↓

Mulher de 48 anos com linfoma gástrico foi submetida a 6 ciclos de quimioterapia com o esquema CHOP (ciclofosfamida, doxorrubicina, vincristina e dexametasona). Três semanas após o término do tratamento evoluiu com dispneia aos esforços, edema de membros inferiores e dispneia paroxística noturna. Nega hipertensão arterial, diabetes, tabagismo ou história familiar de cardiopatia. Ao exame: lúcida, hipocorada, acianótica, afebril. Frequência respiratória: 22 irpm; Frequência cardíaca: 110 bpm; pressão arterial: 104 x 58 mmHg; Ausculta pulmonar com crepitação bilateral nos terços inferiores, ritmo cardíaco regular, em 3 tempos (B3), bulhas normofonéticas, sopro sistólico 2+/6+ em foco mitral, turgência jugular patológica a 90. Abdome com hepatomegalia dolorosa. Membros inferiores com edema bilateral com cacifo 2+/4+.


Em relação ao quadro clínico apresentado e à provável doença de base, é correto afirmar que

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

A cardiotoxicidade por antraciclinas é um efeito colateral grave de alguns quimioterápicos, como a doxorrubicina, que danifica o músculo cardíaco (miocárdio), podendo levar à insuficiência cardíaca (o coração não consegue bombear sangue suficiente para o corpo).

(A) Incorreta: Embora o carvedilol (um betabloqueador) e o enalapril (um inibidor da ECA) sejam fundamentais no tratamento da insuficiência cardíaca já estabelecida e possam ter um papel na prevenção do declínio da função cardíaca em alguns contextos, não há comprovação universal de que eles reduzam o risco de cardiotoxicidade em todos os pacientes que recebem antraciclinas como medida profilática primária. O dexrazoxano é o único agente aprovado para essa finalidade em situações específicas.
(B) Correta: O risco de desenvolver cardiotoxicidade e insuficiência cardíaca relacionada às antraciclinas é bem conhecido por ser diretamente proporcional à dose cumulativa total de antraciclina administrada ao longo do tempo. Quanto maior a dose total, maior a probabilidade de dano cardíaco.
(C) Incorreta: A presença de cardiopatias estruturais subjacentes (como doença arterial coronariana, valvulopatias ou disfunção ventricular prévia) é um importante fator de risco para o desenvolvimento e agravamento da cardiotoxicidade pós-quimioterapia, aumentando a vulnerabilidade do coração.
(D) Incorreta: A radioterapia torácica pode ser nociva a todas as estruturas cardíacas, incluindo o pericárdio (causando pericardite), o miocárdio (levando a fibrose e disfunção), as válvulas (causando estenose ou insuficiência) e as artérias coronárias (acelerando a aterosclerose e estenoses), não poupando nenhuma delas.
(E) Incorreta: A ciclofosfamida, embora não seja uma antraciclina, também é um agente quimioterápico conhecido por sua cardiotoxicidade, especialmente em altas doses, podendo causar miocardite, pericardite e insuficiência cardíaca, independentemente da doxorrubicina.

Fonte: FGV PM-AM 2021 Oficial da PM - Médico Cardiologista (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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