Questão nº 44
Questão de Medicina Intensiva Pediátrica · FGV FHEMIG 2023 (nº 44)
Conforme o atual protocolo de diagnóstico de Morte Encefálica, definido pela resolução CFM nº 2173/2017, analise as afirmativas a seguir.
I. A causa do coma não necessita ser conhecida, desde que seja grave para justificar a evolução para ME.
II. Nos casos de encefalopatia hipóxico-isquêmica, o período de observação e tratamento hospitalar deve ser de, no mínimo, 6 horas após o início do coma.
III. O atual protocolo passou a exigir experiência prévia de, no mínimo, 1 ano no atendimento de pacientes em coma; realização de, no mínimo, 10 exames clínicos de ME ou realização de curso específico de 8 horas.
Está correto o que se afirma em
- AI, apenas.
- BI e II, apenas.
- CI e III, apenas.
- DII e III, apenas.
- EIII, apenas. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
A Morte Encefálica (ME) é a perda irreversível das funções de todo o encéfalo, incluindo o tronco cerebral, e é legalmente equivalente à morte do indivíduo. O diagnóstico segue um protocolo rigoroso estabelecido pela Resolução CFM nº 2173/2017.
- (A) Incorreta: A Resolução CFM nº 2173/2017, Art. 2º, § 1º, exige que "A causa do coma deve ser conhecida e irreversível". Portanto, a afirmativa está errada ao dizer que a causa não necessita ser conhecida.
- (B) Incorreta: A Resolução CFM nº 2173/2017, Art. 2º, § 2º, inciso I, estabelece que "Em casos de encefalopatia hipóxico-isquêmica, o período de observação e tratamento hospitalar deve ser de, no mínimo, 24 horas após o início do coma ou da instalação da condição neurológica que o justifique." A afirmativa está errada ao mencionar 6 horas. (Armadilha: 6 horas é o período de observação para adultos e crianças acima de 2 anos em outras etiologias, mas não para encefalopatia hipóxico-isquêmica, que exige 24 horas).
- (C) Incorreta: A afirmativa I está incorreta, como explicado acima.
- (D) Incorreta: A afirmativa II está incorreta, como explicado acima.
- (E) Correta: A Resolução CFM nº 2173/2017, Art. 6º, § 1º, detalha as qualificações dos médicos que realizam os exames clínicos para diagnóstico de ME: "I - experiência prévia de, no mínimo, 1 (um) ano no atendimento de pacientes em coma; ou II - ter realizado, no mínimo, 10 (dez) exames clínicos de morte encefálica; ou III - ter realizado curso de capacitação para diagnóstico de morte encefálica, com carga horária mínima de 8 (oito) horas." A afirmativa reproduz fielmente essas exigências.
Fonte: FGV FHEMIG 2023 Medicina Intensiva Pediátrica (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.