Questão nº 42
Questão de Cirurgia Geral · FGV FHEMIG 2023 (nº 42)
Paciente de 35 anos, na 28ª semana de gestação, vem há dois dias apresentando dor abdominal em cólica, mais evidente em hipocôndrio direito e epigástrio, associada a náuseas e vômitos, principalmente após a ingesta de alimentos gordurosos. Procurou seu médico obstetra que a encaminhou para a maternidade.
Diante desse quadro, assinale a afirmativa correta.
- AO primeiro exame de imagem a ser feito é a ressonância magnética.
- BAdotar tratamento conservador com antibióticos, hidratação, antieméticos e analgésicos. (alternativa correta)
- CA conduta a ser seguida, caso confirmada colecistite aguda, é a de cirurgia imediata pelos riscos de morte fetal.
- DA presença do útero acima da cicatriz umbilical é contraindicação formal para cirurgia videolaparoscópica.
- EOptando pela cirurgia, não fazer colangiografia per operatória devido à alta dose de radiação ionizante associada à leucemia.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
A colecistite aguda (inflamação da vesícula biliar) na gravidez é uma condição que requer manejo cuidadoso, priorizando a segurança da mãe e do feto. O tratamento inicial para casos não complicados é geralmente conservador.
- (A) Incorreta: O primeiro exame de imagem de escolha para colecistite aguda, especialmente na gravidez, é a ultrassonografia abdominal, por ser segura, acessível e eficaz. A ressonância magnética é uma alternativa se a ultrassonografia for inconclusiva, mas não é a primeira opção.
- (B) Correta: Para casos de colecistite aguda não complicada na gestação, a conduta inicial padrão é o tratamento conservador, que inclui repouso intestinal, hidratação venosa, analgésicos para controle da dor, antieméticos para náuseas e vômitos, e antibióticos para cobrir possíveis infecções bacterianas secundárias. O objetivo é resolver o quadro agudo e, se possível, adiar a cirurgia para um período mais seguro da gestação (geralmente segundo trimestre) ou para o pós-parto.
- (C) Incorreta: Esta é a armadilha da banca. A cirurgia imediata não é a conduta inicial para todos os casos de colecistite aguda confirmada na gestação. A abordagem inicial é conservadora. A cirurgia de urgência é reservada para casos de falha do tratamento conservador ou complicações graves (como perfuração, gangrena ou colecistite enfisematosa), onde o risco de morte fetal e materna por complicações da doença supera o risco da cirurgia.
- (D) Incorreta: A cirurgia videolaparoscópica para colecistectomia é considerada segura e viável durante a gravidez, mesmo com o útero aumentado. A técnica cirúrgica é adaptada (por exemplo, local de inserção do primeiro trocarte, pressão de insuflação de CO2), mas a presença do útero acima da cicatriz umbilical não é uma contraindicação formal.
- (E) Incorreta: A colangiografia per operatória (intraoperatória) pode ser realizada se houver forte suspeita de coledocolitíase (cálculos no ducto biliar comum), mas é feita com precaução devido à radiação ionizante (uso de aventais de chumbo, tempo de fluoroscopia minimizado). No entanto, não é uma contraindicação absoluta e a decisão é individualizada, pesando os riscos e benefícios. Outras opções como a colangiopancreatografia por ressonância magnética (CPRM) podem ser preferidas no pré-operatório para evitar a radiação.
Fonte: FGV FHEMIG 2023 Cirurgia Geral (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.