Questão nº 22
Questão de Contabilidade Aplicada ao Setor Público · FGV CVM 2024 (nº 22)
Podem surgir discrepâncias na apuração dos resultados primário e nominal calculados pelas metodologias "acima da linha" e "abaixo da linha", sendo necessários alguns ajustes nos cálculos para que as metodologias se tornem compatíveis.
Um desses ajustes no resultado nominal corresponde a:
- Aadicionar as receitas de alienação de investimentos permanentes;
- Bajustar ganhos e perdas decorrentes de marcação a mercado de títulos da dívida pública;
- Celiminar o valor das variações no saldo de restos a pagar processados ocorridas durante o período de apuração; (alternativa correta)
- Dexcluir o valor dos precatórios registrados por competência no período de apuração;
- Eincluir o valor de obrigações em atraso, devidas pelo ente e não pagas no período devido.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
O resultado nominal mede a necessidade total de financiamento do setor público, incluindo os juros da dívida. Existem duas formas principais de calculá-lo: "acima da linha" (analisando receitas e despesas) e "abaixo da linha" (analisando a variação do estoque da dívida pública). Para que os resultados dessas duas metodologias sejam compatíveis, são necessários ajustes que neutralizem as diferenças de registro ou de tempo.
- (A) Incorreta: As receitas de alienação de investimentos permanentes (venda de ativos) são receitas não financeiras. Para o resultado primário, elas são geralmente excluídas por não serem recorrentes. Para o resultado nominal, elas reduzem a necessidade de financiamento e são geralmente incluídas em ambas as metodologias (como entrada de caixa e redução da dívida), não sendo um ajuste típico para reconciliação.
- (B) Incorreta: Ajustar ganhos e perdas decorrentes de marcação a mercado de títulos da dívida pública é, de fato, um ajuste necessário para a compatibilização. Essas variações afetam o estoque da dívida ("abaixo da linha") mas não são fluxos de caixa ou despesas por competência ("acima da linha"). No entanto, a alternativa (C) é o gabarito oficial e é um ajuste mais abrangente e comum no contexto brasileiro. A armadilha aqui é que esta alternativa parece correta e é um ajuste válido, mas a banca considerou (C) como a resposta esperada.
- (C) Correta: A variação no saldo de Restos a Pagar Processados (RPP) representa a diferença entre os RPPs inscritos (despesa por competência) e os RPPs pagos (saída de caixa que afeta a dívida). Se o cálculo "acima da linha" for por competência, ele já registrou a despesa quando o RPP foi inscrito. No entanto, o pagamento de RPPs de anos anteriores afeta o caixa e a dívida no período atual, mas não é uma nova despesa por competência. Para compatibilizar as metodologias, é preciso eliminar o efeito líquido dessas variações, que representam despesas já reconhecidas ou pagamentos de despesas antigas, para que o resultado "acima da linha" reflita a necessidade de financiamento de forma alinhada com a variação da dívida.
- (D) Incorreta: Excluir o valor dos precatórios registrados por competência não é um ajuste padrão de reconciliação. Se registrados por competência, eles já são despesa. A questão da reconciliação está mais ligada ao momento do pagamento e ao impacto na dívida, e não à exclusão da despesa em si.
- (E) Incorreta: Incluir o valor de obrigações em atraso não pagas seria um ajuste se o cálculo "acima da linha" fosse por caixa e as obrigações não pagas aumentassem a dívida ("abaixo da linha"). No entanto, a variação nos Restos a Pagar (alternativa C) já abrange de forma mais específica e comum essa dinâmica de despesas incorridas mas não pagas, que geram discrepâncias entre as metodologias.
Fonte: FGV CVM 2024 Analista CVM - Contabilidade Pública (Perfil 6) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.