Questão nº 25
Questão de Direito Penal e Criminologia · FCC DPE-AP 2022 (nº 25)
FCC2022Defensor(a) Público(a)Direito Penal e Criminologia
Gabarito: Cver comentário ↓
Com relação às infrações penais no âmbito da violência doméstica e familiar contra a mulher, o Superior Tribunal de Justiça entende que
- Aas disposições penais da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) são inaplicáveis às mulheres trans em situação de violência doméstica.
- Bo princípio da insignificância é aplicável às contravenções penais praticadas contra mulher no âmbito das relações domésticas.
- Ca ameaça à vítima na presença de seu filho menor de idade justifica a valoração negativa da culpabilidade do agente. (alternativa correta)
- Da contravenção penal praticada com grave ameaça contra a mulher no âmbito doméstico admite a imposição de pena restritiva de direitos.
- Ecaracteriza bis in idem a incidência da qualificadora de motivo torpe de feminicídio praticado contra mulher em situação de violência doméstica.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
A Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) é um marco legal que visa combater a violência doméstica e familiar contra a mulher, e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem a função de interpretar suas normas para garantir a efetividade dessa proteção.
- A) Incorreta: O STJ entende que a Lei Maria da Penha se aplica às mulheres trans, pois a proteção é baseada na identidade de gênero e na situação de vulnerabilidade, e não no sexo biológico.
- B) Incorreta: O STJ firmou entendimento de que o princípio da insignificância não se aplica a crimes ou contravenções penais praticados no contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher, dada a relevância social da conduta e o objetivo protetivo da lei.
- (C) Correta: A ameaça proferida na presença de filho menor de idade da vítima demonstra maior reprovabilidade da conduta do agente, justificando a valoração negativa da culpabilidade na dosimetria da pena (art. 59 do Código Penal), conforme entendimento do STJ.
- D) Incorreta: O STJ não admite a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos em casos de violência doméstica e familiar contra a mulher, mesmo para contravenções penais, se houver grave ameaça ou violência, conforme o art. 44 do Código Penal e a finalidade da Lei Maria da Penha.
- E) Incorreta: O STJ entende que a qualificadora de feminicídio (motivação de gênero) e a de motivo torpe (ex: ciúmes, vingança) podem coexistir sem configurar bis in idem, pois descrevem aspectos distintos da motivação do crime, a menos que uma delas já esteja implícita na outra de forma exaustiva.
Fonte: FCC DPE-AP 2022 Defensor(a) Público(a) (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.