Questão nº 86
Questão de História da Bahia · FCC Defensoria Pública do Estado da Bahia 2021 (nº 86)
Considere o texto abaixo:
Negro da Guiné e gentio da Guiné foram as primeiras designações utilizadas para marcar a origem dos escravos africanos chegados à Bahia no século XVI. Mais do que um registro de procedência, estas expressões queriam significar a condição mesma de escravo na linguagem corrente da época. Seu uso se generalizara em Portugal, desde o final do século, quando o tráfico de escravos começou a se transformar na mais potente empresa comercial daquele país. A multiplicidade cultural da África passava a ser ignorada pelos portugueses na razão direta em que o caráter de mercadoria se incorporava ao conjunto da população.
De acordo com a autora,
- Aas designações “Negro da Guiné” e “gentio da Guiné” identificavam os crioulos trazidos para os engenhos de cana do Recôncavo, região de maior rentabilidade comercial para os lusos.
- Bos primeiros escravizados que desembarcaram na Bahia após o sequestro no continente africano foram oriundos da Costa Oriental da África, onde havia homogeneidade de povos.
- Co termo “Negro da Guiné” representa uma visão pluralista, usada pelos comerciantes de escravos para identificar os nativos africanos.
- Dos escravos traficados para Bahia foram classificados a partir de uma visão homogeneizadora, que desprezava a multiplicidade dos povos africanos. (alternativa correta)
- Eo “gentio da Guiné” era o escravizado, que ao chegar em solo baiano, passava a ser identificado por seus traços culturais, preservando-se o nome original do povo africano ao qual pertencia.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
O conceito-chave do texto é que os primeiros termos usados para se referir aos africanos escravizados na Bahia, como "Negro da Guiné", não eram para identificar suas origens diversas, mas sim para simplificar e reduzir essas pessoas à sua condição de escravos e mercadorias, ignorando suas culturas.
- (A) Incorreta: O texto não menciona "crioulos" (nascidos na América) nem especifica "engenhos de cana do Recôncavo" ou sua rentabilidade em relação a essas designações iniciais. A armadilha aqui é que, embora o Recôncavo fosse importante, o texto não conecta essa informação com as primeiras designações ou a identidade dos crioulos.
- (B) Incorreta: O texto fala de "Guiné", que historicamente se refere à costa ocidental da África, não à "Costa Oriental". Além disso, o texto afirma que a "multiplicidade cultural da África passava a ser ignorada", o que contradiz a ideia de "homogeneidade de povos" na África.
- (C) Incorreta: O texto afirma que a "multiplicidade cultural da África passava a ser ignorada", o que é o oposto de uma "visão pluralista". Os termos eram genéricos, não plurais.
- (D) Correta: O texto diz que "A multiplicidade cultural da África passava a ser ignorada pelos portugueses na razão direta em que o caráter de mercadoria se incorporava ao conjunto da população", o que descreve perfeitamente uma "visão homogeneizadora" que "desprezava a multiplicidade dos povos africanos".
- (E) Incorreta: O texto explicitamente afirma que a "multiplicidade cultural da África passava a ser ignorada", o que contradiz a ideia de que os escravizados eram identificados por seus traços culturais ou que seus nomes originais eram preservados. Os termos "Negro da Guiné" e "gentio da Guiné" são genéricos.
Fonte: FCC Defensoria Pública do Estado da Bahia 2021 Defensor(a) Público(a) (Caderno Tipo 002). Reproduzida para fins de estudo.