Questão nº 56

Questão de Medicina do Trabalho · CESGRANRIO CAIXA-01/2025 (nº 56)

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Gabarito: Bver comentário ↓

Um médico do trabalho, ao analisar os dados de saúde de uma empresa do setor de construção civil, identifica um caso confirmado de Paracoccidioidomicose (PCM) em um trabalhador. O paciente relatou ter migrado da zona rural para a cidade há alguns anos, atuando desde então como servente de obras.

Considerando essas informações e a legislação de segurança e saúde no trabalho brasileira, bem como o gerenciamento desse risco ocupacional, o médico deve

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

O conceito-chave aqui é que a Paracoccidioidomicose (PCM) é uma doença fúngica grave, de notificação compulsória nacional e que, embora tenha longa latência, está diretamente ligada à exposição ao solo contaminado. Na construção civil, o trabalhador (mesmo urbano) pode se expor ao fungo ao mexer com terra, poeira ou vegetação, o que a torna um risco biológico ocupacional que exige vigilância ativa, não apenas tratamento individual.

  • (A) Incorreta: A longa latência não exclui o nexo ocupacional; o trabalhador pode ter se infectado ao longo da vida, mas a atividade atual em canteiros (terra, poeira) também é fator de risco. Descartar o caso sem investigação é negligência em saúde do trabalhador.
  • (B) Correta: A PCM está na lista de notificação compulsória (Portaria de Consolidação nº 4, Anexo 1, e Portaria GM/MS nº 217/2023). O médico deve notificar, rastrear outros casos (busca ativa) e atualizar o PPRA/PCMSO (hoje, PGR e PCMSO) para incluir o risco biológico e medidas de prevenção, pois a doença atinge tanto o meio rural quanto a construção civil.
  • (C) Incorreta: A PCM é reconhecida como doença relacionada ao trabalho (Lista B do Ministério da Saúde e Decreto 3.048/99, Anexo II), e o médico não pode simplesmente "encaminhar ao SUS" sem emitir a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) e notificar, sob pena de responsabilidade ética e legal.
  • (D) Incorreta: Fornecer EPR apenas para o caso índice é inócuo; a prevenção exige controle coletivo (umedecimento do solo, ventilação, proteção de todos os expostos) e vigilância médica periódica, não apenas equipamento individual para um único trabalhador.
  • (E) Incorreta: A PCM não é transmissível entre humanos (o contágio ocorre por inalação de esporos do fungo no solo). Isolar o trabalhador é desnecessário, cientificamente errado e gera estigma, além de não controlar o risco ambiental.

Armadilha da banca na alternativa (A): Ela tenta fazer você acreditar que "migrou da zona rural" e "longa latência" = "não é mais problema da empresa". A pegadinha é ignorar que o trabalhador, como servente de obras, continua exposto a terra/poeira no canteiro, o que mantém o risco ocupacional atual e exige notificação e revisão do programa de prevenção, não o descarte do caso.

Fonte: CESGRANRIO CAIXA-01/2025 Médico do Trabalho (Caderno Prova única). Reproduzida para fins de estudo.

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