Questão nº 63
Questão de Psicologia Organizacional · CESGRANRIO BNDES 01/2024 (nº 63)
Um problema recorrente no mundo do trabalho é a angústia e o medo ou ansiedade. Enquanto a angústia pode ser compreendida como um fenômeno individual que pode ser tratado por psicoterapia, o medo ou a ansiedade têm relação direta com a organização do trabalho. O problema do medo no trabalho é o efeito de uma oposição entre a natureza coletiva do caráter psicológico dos membros de uma equipe e um risco residual assumido individualmente. Frente a isso, os trabalhadores podem elaborar defesas específicas contra o medo ou a ansiedade.
Sobre o medo ou a ansiedade no contexto do trabalho, verifica-se que
- Aa ansiedade relativa à degradação do funcionamento mental e do equilíbrio psicoafetivo é mais intensa do que a ansiedade relativa à degradação do organismo, pois resulta da degradação das relações espontâneas entre os membros de uma equipe.
- Ba ansiedade associada às relações de trabalho é efeito de um tipo de organização do trabalho marcado pela hierarquia, em que é exercido um tipo de controle por um sistema de relações carismáticas que faz uso de informações pessoais.
- Co medo em tarefas submetidas a ritmos de trabalho intensos leva os trabalhadores a um tipo de resistência à mudança para não perder as vantagens adquiridas no processo de adaptação, mas isso ocorre apenas quando as condições de trabalho são favoráveis.
- Dos sinais indiretos do medo se expressam por meio de uma ideologia defensiva, sendo essa ideologia caracterizada por uma aparente inconsciência de todos os membros de uma equipe quanto aos riscos associados ao trabalho. (alternativa correta)
- Eos sinais diretos do medo são reduzidos com a implementação de sinalizações destinadas principalmente a estimular a atenção para proteção contra os riscos de acidentes do trabalho.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
Conceito-chave: Na psicodinâmica do trabalho, o medo não é só um sentimento individual; ele é produzido pela organização do trabalho. Para suportá-lo, os trabalhadores criam defesas coletivas (estratégias inconscientes do grupo). Uma dessas defesas é a ideologia defensiva, que faz o grupo "fingir" que não vê o perigo, criando uma falsa sensação de segurança e coragem.
- (A) Incorreta: A ansiedade pela degradação mental não é "mais intensa" que a física; ambas coexistem e a intensidade varia conforme o contexto, não havendo hierarquia fixa de sofrimento.
- (B) Incorreta: A ansiedade nas relações de trabalho não se resume a controle por "relações carismáticas"; ela deriva de pressões, ritmos e divisão de tarefas, não de um sistema de informações pessoais.
- (C) Incorreta: A resistência à mudança por medo não ocorre "apenas" em condições favoráveis; ela é uma defesa comum mesmo em condições adversas, e não está ligada a "vantagens adquiridas".
- (D) Correta: Os sinais indiretos do medo aparecem como ideologia defensiva: o grupo age como se os riscos não existissem, uma "inconsciência aparente" que protege psicologicamente, mas não elimina o perigo real.
- (E) Incorreta: Sinalizações de segurança reduzem o risco físico, mas não reduzem os sinais diretos do medo; o medo persiste porque a defesa é psíquica, não informativa.
Armadilha da banca na (E): Ela parece lógica (sinalizar = menos medo), mas confunde prevenção de acidentes com elaboração psíquica do medo. O medo não some com placas; ele é mascarado pela ideologia defensiva do grupo, que é o ponto central da questão.
Fonte: CESGRANRIO BNDES 01/2024 Analista - Psicologia Organizacional (Caderno Prova 13). Reproduzida para fins de estudo.