Questão nº 76
Questão de Medicina · CEBRASPE TCE-MG 2025 (nº 76)
Paciente do sexo masculino, com 65 anos de idade, negro, obeso e sedentário, comparece a uma unidade básica de saúde para consulta de rotina. Relata já ter sido diagnosticado com diabetes e estar em uso regular de metformina. Em sua última consulta, foi registrada pressão arterial de 135 mmHg × 85 mmHg. Na consulta atual, o paciente apresenta os registros de medidas realizadas em casa, três vezes ao dia, por meio de aparelho certificado, no decorrer de um mês, os quais evidenciam pressão média de 139 mmHg × 89 mmHg.
Considerando o quadro clínico apresentado, assinale a opção correta.
- ADado o diagnóstico prévio de diabetes tipo 2, deve-se indicar ao paciente o uso de um bloqueador de receptor da angiotensina associado a um inibidor da enzima conversora da angiotensina.
- BComo medida não farmacológica, deve-se orientar o paciente a seguir a dieta DASH, caracterizada por ser pobre em potássio, cálcio, magnésio, proteína, gordura saturada e colesterol.
- CPor ter 65 anos de idade, sofrer de diabetes e apresentar pressão média com PAS ≥ 130 mmHg e PAD ≥ 80 mmHg, o paciente deve iniciar tratamento com inibidor da enzima conversora da angiotensina somado a bloqueador de canal de cálcio de longa ação. (alternativa correta)
- DO paciente não apresenta o diagnóstico de hipertensão arterial sistêmica, sendo necessário apenas que o médico o oriente acerca da importância da mudança de seu estilo de vida.
- EOutros fatores de risco para hipertensão arterial primária devem ser questionados e corrigidos, como uso excessivo de álcool, aumento da ingestão de potássio, redução da ingestão de sódio e tempo de sono menor que 7 horas por noite.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
Conceito-chave: No paciente diabético, a meta de pressão arterial é mais rígida: PA ≥ 130 × 80 mmHg já fecha diagnóstico de hipertensão e exige tratamento. E quando há diabetes + idade ≥ 65 anos, a combinação inicial preferida costuma ser IECA (ou BRA) + bloqueador de canal de cálcio (BCC) de longa ação — não dois bloqueadores do mesmo sistema (IECA + BRA juntos é proibido).
- (A) Incorreta: Associar IECA + BRA é combinação contraindicada (mesmo mecanismo, dobra o risco de hipercalemia e lesão renal); além disso, a alternativa ignora o BCC de longa ação indicado no perfil.
- (B) Incorreta: A dieta DASH é rica em potássio, cálcio, magnésio, proteínas magras e pobre em gordura saturada/colesterol — a alternativa inverteu tudo.
- (C) Correta: Paciente diabético, ≥ 65 anos, com média de 139 × 89 mmHg (≥ 130 × 80) tem HAS confirmada; o esquema inicial de escolha é IECA + BCC de longa ação, que reduz eventos cardiovasculares nesse perfil.
- (D) Incorreta: Ele tem diagnóstico de HAS (média ≥ 130 × 80 em diabético); só orientar estilo de vida é conduta insuficiente.
- (E) Incorreta: O erro está em dizer "aumento da ingestão de potássio" como fator de risco — o correto é reduzir sódio e aumentar potássio (isso protege); além disso, a alternativa mistura medidas protetoras com fatores de risco.
Armadilha da banca (distrator mais tentador — letra A): a banca aposta que o aluno decore "diabetes → bloqueia o SRAA" e escolha IECA + BRA por parecer "reforço". Mas IECA e BRA juntos NÃO se somam: se anulam em benefício e somam em risco (hipercalemia, queda de filtração). A regra é: um bloqueador do SRAA por vez, e no diabético hipertenso com esse perfil, ele vem acompanhado de BCC de longa ação, não de outro bloqueador do mesmo sistema.
Fonte: CEBRASPE TCE-MG 2025 Médico. Reproduzida para fins de estudo.