Questão nº 55
Questão de Medicina · CEBRASPE TCE-MG 2025 (nº 55)
João, com 32 anos de idade, trabalha em uma central de atendimento de telemarketing, em regime de turnos alternados, há nove anos. Ordinariamente, trabalha seis horas diárias, em três manhãs e duas noites a cada sete dias, mas, às vezes, necessita cobrir a folga de algum colega. Ele comparece ao ambulatório de saúde ocupacional apresentando quadro compatível com síndrome de Burnout e traz laudo psiquiátrico que indica o estresse crônico laboral, somado à dessincronização circadiana, como fator determinante para o quadro.
A partir da situação hipotética precedente, assinale a opção correspondente à intervenção organizacional mais adequada para reduzir o impacto da dessincronização circadiana sobre a saúde de João.
- Areestruturação do sistema de trabalho para regime de turnos fixos alternantes, com mudança de turno a cada 6 meses (alternativa correta)
- Bimplementação de rotação rápida dos turnos no sentido para trás, que tende a minimizar os efeitos da dessincronização
- Ctreinamento em técnicas de higiene do sono e orientação detalhada sobre a importância da alimentação noturna rica em triptofano
- Dcriação de um grupo de apoio psicológico, com sessões quinzenais, para manejo do estresse percebido e dos impactos na vida social
- Eredução da jornada, quando noturna, para cinco horas diárias, sem alteração de salário, conforme previsão constitucional para turnos ininterruptos de revezamento
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
Dessincronização circadiana é o desalinhamento entre o relógio biológico do corpo (que regula sono, hormônios, temperatura) e os horários impostos pelo trabalho. Para reduzir esse impacto, a intervenção organizacional mais eficaz é estabilizar o ritmo: turnos fixos por longos períodos permitem que o organismo se adapte a um padrão previsível, em vez de viver em constante "jet lag" social.
- (A) Correta: Turnos fixos alternantes com mudança a cada 6 meses dão tempo suficiente para o corpo se adaptar ao novo horário e reduzem a dessincronização crônica — é a medida organizacional que ataca a causa no desenho do trabalho, não apenas o sintoma.
- (B) Incorreta: Rotação rápida (mudar de turno em poucos dias) não permite adaptação circadiana; e a rotação "para trás" (noite → tarde → manhã) é justamente a que piora a dessincronização, pois contraria a tendência natural de atraso do ritmo biológico.
- (C) Incorreta: Higiene do sono e alimentação são medidas individuais/comportamentais, não intervenção organizacional; ajudam como apoio, mas não eliminam a causa (o desenho dos turnos).
- (D) Incorreta: Grupo de apoio psicológico trata estresse e impacto social, não a dessincronização circadiana em si; é paliativo, não intervenção organizacional sobre o ritmo.
- (E) Incorreta: Redução de jornada noturna para 5 horas não é previsão constitucional para turnos ininterruptos de revezamento (a CF fala em 6 horas, salvo negociação coletiva) e, além disso, não corrige o desalinhamento do relógio biológico.
Armadilha do distrator mais tentador (B): a banca usa termos que "soam científicos" — "rotação rápida" e "sentido para trás" — para induzir o aluno a achar que existe uma rotação que minimiza o dano. É o oposto: rotação rápida impede a adaptação circadiana e a rotação para trás agrava o quadro. Fixe assim: para o relógio biológico, o que importa é tempo de adaptação + direção compatível com o atraso natural do ritmo — logo, turnos fixos por longos períodos (meses) são a resposta organizacional correta.
Fonte: CEBRASPE TCE-MG 2025 Médico. Reproduzida para fins de estudo.