Questão nº 53
Questão de Ciências Econômicas · FGV TCE-TO 2022 (nº 53)
Suponha que um auditor do Tribunal de Contas esteja realizando um estudo sobre a evolução da dívida pública de um país e obtenha as seguintes informações sobre a economia no ano de 2021.
I. O superávit primário é de 1% a.a.
II. A razão dívida-PIB atual é de 85%.
III. A taxa nominal de juros é de 12% a.a.
IV. A taxa de inflação é de 10% a.a.
V. O PIB potencial cresce a uma taxa de 2% a.a.
Ao considerar que essas informações permanecerão constantes ao longo do tempo, a melhor previsão do pesquisador em relação ao valor da relação dívida-PIB daqui a dois anos será de:
- A82%;
- B83%; (alternativa correta)
- C84%;
- D85%;
- E86%.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
A razão dívida/PIB, um indicador da sustentabilidade fiscal de um país, evolui de acordo com a taxa de juros nominal da dívida, a taxa de crescimento nominal do PIB e o superávit primário do governo.
- (A) Incorreta: Esta alternativa seria plausível se a redução da dívida fosse maior, o que não é o caso com os parâmetros fornecidos.
- (B) Correta: Para calcular a evolução da razão dívida/PIB (), usamos a fórmula: , onde é a taxa de juros nominal, é a taxa de crescimento nominal do PIB e é o superávit primário.
- Calcular a taxa de crescimento nominal do PIB ():
ou . - Calcular a razão dívida/PIB após o primeiro ano (2022):
ou . - Calcular a razão dívida/PIB após o segundo ano (2023):
Usando o valor de (mantendo as casas decimais para maior precisão):
ou .
Arredondando para o número inteiro mais próximo, obtemos .
- Calcular a taxa de crescimento nominal do PIB ():
- (C) Incorreta: Esta opção indicaria uma redução menor do que a calculada, ou até um aumento em algum período, o que não corresponde aos dados.
- (D) Incorreta: A razão dívida/PIB não permanece constante porque a taxa de juros nominal (12%) é diferente da taxa de crescimento nominal do PIB (12.2%), e há um superávit primário (1%) que contribui para a redução. Se a dívida fosse constante, o superávit primário deveria ser igual ao juro real da dívida, o que não é o caso.
- (E) Incorreta: Esta opção implicaria um aumento da razão dívida/PIB, o que ocorreria se o superávit primário fosse negativo (déficit) ou se a taxa de juros nominal fosse significativamente maior que a taxa de crescimento nominal do PIB, superando o efeito do superávit. A armadilha aqui seria ignorar o efeito do crescimento do PIB e do superávit.
Fonte: FGV TCE-TO 2022 Auditor de Controle Externo - Ciências Econômicas (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.