Questão nº 49
Questão de Ginecologia e Obstetrícia · FGV PM-AM 2021 (nº 49)
Mulher, 58 anos, menopausa aos 51 anos, refere sangramento vaginal intermitente há cerca de 1 mês. Nega uso de terapia hormonal. Relata ser hipertensa com uso de medicação de forma regular.
IMC = 34 kg/m².
Foi solicitada ultrassonografia transvaginal que revelou útero AVF com 160 cm³, eco endometrial medindo 11 mm e ovários não visualizados. Foi submetida à biópsia de endométrio cujo resultado foi hiperplasia glandular sem atipias.
A conduta é indicar
- Adienogeste.
- Bhisterectomia.
- Canálogo do GnRH.
- Dablação endometrial.
- Esistema intrauterino de levonorgestrel. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
A hiperplasia endometrial sem atipias é um crescimento excessivo do revestimento do útero (endométrio) sem alterações celulares anormais, frequentemente causado por exposição prolongada a estrogênio sem oposição de progesterona, e é tratada com progestagênios para reverter o quadro e prevenir a progressão.
(A) Incorreta: Dienogeste é um progestagênio e poderia ser usado, mas geralmente é administrado por via oral. Embora progestagênios sejam a base do tratamento, o sistema intrauterino de levonorgestrel (SIU-LNG) é preferível por sua ação local e menor incidência de efeitos sistêmicos.
(B) Incorreta: A histerectomia (remoção cirúrgica do útero) é um tratamento definitivo, mas é considerada excessiva para hiperplasia endometrial sem atipias, que tem baixo risco de progressão para câncer e geralmente responde bem ao tratamento clínico. É reservada para casos de hiperplasia atípica, câncer ou falha do tratamento conservador. Armadilha da banca: A histerectomia é um distrator tentador porque é uma solução definitiva para muitas patologias uterinas, mas para hiperplasia sem atipias, o tratamento médico é a primeira linha e é altamente eficaz, tornando a cirurgia desnecessária e mais invasiva.
(C) Incorreta: Análogos do GnRH induzem um estado de hipoestrogenismo (menopausa química) e são usados para condições como miomas e endometriose. Não são a primeira linha para hiperplasia endometrial sem atipias, cujo tratamento principal é a progesterona para induzir diferenciação e atrofia endometrial.
(D) Incorreta: A ablação endometrial é a destruição do revestimento uterino para tratar sangramento uterino anormal. No entanto, é geralmente contraindicada na presença de hiperplasia endometrial (especialmente se houver atipias ou risco de câncer), pois pode mascarar ou dificultar o diagnóstico e tratamento de uma lesão maligna subjacente. Não trata a hiperplasia em si.
(E) Correta: O sistema intrauterino de levonorgestrel (SIU-LNG) libera progestagênio diretamente no endométrio, atingindo altas concentrações locais com mínimos efeitos sistêmicos. É o tratamento de primeira linha mais eficaz e recomendado para hiperplasia endometrial sem atipias, especialmente em mulheres pós-menopausa, pois promove a atrofia endometrial, controla o sangramento e reduz o risco de progressão.
Fonte: FGV PM-AM 2021 Oficial da PM - Médico Ginecologista (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.