Questão nº 50
Questão de Pedagogia · FGV MP-BA 2017 (nº 50)
“Assim como as tradições que definem o que é currículo, o currículo é, ele mesmo, uma prática discursiva. Isso significa que ele é uma prática de poder, mas também uma prática de significação, de atribuição de sentidos. Ele constrói a realidade, nos governa, constrange nosso comportamento, projeta nossa identidade, tudo isso produzindo sentidos”. (LOPES, Alice Casimiro; MACEDO, Elizabeth. Teorias de Currículo. São Paulo: Cortez, 2011).
A partir da visão pós-estruturalista das práticas curriculares de poder e significação, é correto afirmar que o currículo:
- Ase constrói na dialética, a partir de imposições e resistências, tendo como atores principais os alunos;
- Bé um recorte implacável, em que há um processo avassalador de imposições por meio do arbitrário cultural dominante;
- Ctorna inócuas distinções como currículo formal, oculto, vivido, na medida em que tudo isso é parte inalienável das práticas curriculares; (alternativa correta)
- Doculto é a parte intangível do currículo, na medida em que não está colocada nos textos e não é partilhada por todos;
- Epossui independência das decisões políticas, na medida em que é construído no interior das escolas.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
A visão pós-estruturalista entende o currículo não apenas como um conjunto de conteúdos, mas como uma prática discursiva que exerce poder e produz sentidos, moldando a realidade, as identidades e os comportamentos.
(A) Incorreta: A dialética busca uma síntese de opostos, enquanto o pós-estruturalismo foca na desconstrução de sentidos fixos e na multiplicidade de discursos, sem necessariamente buscar uma resolução dialética.
(B) Incorreta: Esta alternativa é o distrator mais tentador. Embora o pós-estruturalismo reconheça o poder e a cultura dominante, termos como "implacável" e "avassalador" sugerem uma imposição totalitária e sem brechas. A perspectiva pós-estruturalista enfatiza a contingência dos sentidos, a multiplicidade de discursos e as possibilidades de resistência e reinterpretação, não apenas uma imposição monolítica. O currículo produz sentidos, não apenas os impõe de forma absoluta.
(C) Correta: A visão pós-estruturalista desafia categorizações rígidas. Ao ver o currículo como uma prática discursiva total que constrói a realidade e produz sentidos, ela entende que o formal (escrito), o oculto (implícito) e o vivido (experienciado) são aspectos inseparáveis e interligados do mesmo processo de significação e poder, tornando as distinções tradicionais menos úteis ou "inócuas".
(D) Incorreta: Esta alternativa descreve o currículo oculto, um conceito da teoria crítica, mas não reflete a crítica pós-estruturalista às próprias distinções entre os tipos de currículo. A visão pós-estruturalista questionaria a separação em si.
(E) Incorreta: O texto e a visão pós-estruturalista afirmam que o currículo é uma "prática de poder" e "nos governa", o que o torna intrinsecamente ligado a decisões políticas e a discursos sociais mais amplos, e não independente delas.
Fonte: FGV MP-BA 2017 Analista Técnico - Pedagogia (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.