Questão nº 45

Questão de Medicina Intensiva · FGV FHEMIG 2023 (nº 45)

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Gabarito: Bver comentário ↓

Sobre controle sintomático do paciente em cuidados paliativos e em fase final de vida, quando manejado em ambiente de terapia intensiva, analise as afirmativas a seguir e assinale (V) para a verdadeira e (F) para a falsa.

( ) A utilização do haloperidol, na dose de 1mg por via intravenosa a cada 8 horas, pode ser uma alternativa aos pacientes com vômitos e obstrução intestinal maligna.
( ) Geralmente, para controle de dispneia em pacientes em fase final de vida, é necessária a utilização de morfina em bomba de infusão contínua em doses altas, geralmente acima de 3mg/h.
( ) A utilização de escopolamina reduz as secreções de via aérea e está associada à redução do advento do ronco da morte ou “sororoca”.
( ) Os anti-inflamatórios não hormonais são opções interessantes para controle de dor em pacientes com câncer avançado e presença de metástases ósseas.

As afirmativas são, na ordem apresentada, respectivamente,

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

O controle sintomático em cuidados paliativos na UTI foca em aliviar o sofrimento do paciente em fase final de vida, priorizando o conforto e a qualidade de vida, e não a cura. Isso envolve o manejo de sintomas como dor, náuseas, dispneia e agitação.

(A) Incorreta: O haloperidol, um antipsicótico, possui potente ação antiemética e é uma excelente opção para náuseas e vômitos refratários, incluindo aqueles causados por obstrução intestinal maligna. A dose de 1mg IV a cada 8 horas é uma posologia inicial e de manutenção comum e adequada neste contexto.
(B) Correta: A morfina é o opioide de escolha para o controle da dispneia em pacientes em fase final de vida. No entanto, a afirmação de que "geralmente, para controle de dispneia... é necessária a utilização de morfina em bomba de infusão contínua em doses altas, geralmente acima de 3mg/h" é incorreta. A dose de morfina deve ser titulada individualmente, começando com doses baixas (ex: 1-2mg IV/SC ou 2,5-5mg oral) e ajustando conforme a resposta do paciente. Muitos pacientes obtêm alívio com doses bem menores, e a infusão contínua não é sempre necessária, sendo a administração intermitente frequentemente suficiente e preferida inicialmente. Doses acima de 3mg/h em infusão contínua seriam consideradas altas para um início de tratamento, especialmente em pacientes opioide-naïve. Armadilha da banca: A pegadinha está em generalizar a necessidade de "doses altas" e "bomba de infusão contínua", quando a prática é a titulação individualizada e o uso de doses eficazes, que muitas vezes são baixas.
(C) Incorreta: A escopolamina (butilbrometo de escopolamina ou hioscina) é um anticolinérgico que reduz efetivamente as secreções de via aérea e salivar. Sua utilização é indicada para prevenir ou tratar o "ronco da morte" (ou "sororoca"), que é causado pelo acúmulo de secreções nas vias aéreas superiores de pacientes que não conseguem mais degluti-las ou expectorá-las.
(D) Incorreta: Os anti-inflamatórios não hormonais (AINEs) são muito eficazes para o controle da dor óssea, que é uma queixa comum em pacientes com câncer avançado e metástases ósseas. Eles atuam inibindo a produção de prostaglandinas, que desempenham um papel crucial na fisiopatologia da dor óssea. Podem ser usados isoladamente ou em combinação com opioides para potencializar o efeito analgésico e reduzir a necessidade de doses mais altas de opioides.

Fonte: FGV FHEMIG 2023 Medicina Intensiva (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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