Questão nº 45

Questão de Infectologia Pediátrica · FGV FHEMIG 2023 (nº 45)

FGV2023Infectologia PediátricaInfectologia Pediátrica
Gabarito: Bver comentário ↓

Acerca das intercorrências infecciosas no paciente com anemia falciforme, analise as afirmativas a seguir.
I. O risco de septicemia e/ou meningite chega a ser 600 vezes maior do que em crianças sem doença falciforme, portanto os falcêmicos com doença febril sem foco aparente, mesmo que sem sinais de sepse, devem receber terapia empírica com cefepima + vancomicina.
II. Se na avaliação da febre não for detectada qualquer etiologia, os antibióticos devem ser mantidos por no mínimo 72 horas até resultados das hemoculturas.
III. A cobertura antibiótica para Mycoplasma pneumoniae está indicada em associação à cefalosporina no paciente com síndrome torácica aguada.
IV. Se for confirmada ou existir suspeita forte de osteomielite, fazer esquema com oxacilina e clindamicina.
V. A crise aplásica por parvovirose pode ser diferenciada do sequestro esplênico por cursar reticulopenia, com enquanto o sequestro leva à reticulocitose.
Está correto o que se afirma em

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

Pacientes com anemia falciforme têm maior risco de infecções graves devido à disfunção do baço (asplenia funcional) e outros fatores, exigindo manejo rápido e específico.

  • (A) Incorreta: A afirmativa I está incorreta. Embora o risco de infecções seja muito elevado, a terapia empírica com cefepima + vancomicina é geralmente reservada para pacientes mais graves, com sinais de sepse ou risco de resistência. Para febre sem foco aparente em pacientes falcêmicos sem sinais de sepse, a recomendação inicial é frequentemente uma cefalosporina de terceira geração (como ceftriaxona), podendo-se adicionar vancomicina se houver suspeita de MRSA ou maior gravidade. O "600 vezes maior" também pode ser um exagero dependendo da fonte.
  • (B) Correta: A afirmativa II está correta. É prática padrão manter os antibióticos por no mínimo 48-72 horas, ou até que os resultados das culturas (hemoculturas) sejam negativos e o paciente esteja clinicamente estável e afebril, para garantir a cobertura de uma possível bacteremia oculta.
  • (C) Incorreta: A afirmativa III está correta. A síndrome torácica aguda em pacientes falcêmicos frequentemente envolve infecções por patógenos atípicos como Mycoplasma pneumoniae. A cobertura para Mycoplasma (com um macrolídeo, por exemplo) em associação a uma cefalosporina (para bactérias típicas) é uma conduta padrão.
  • (D) Incorreta: A afirmativa IV está incorreta. Na osteomielite em pacientes falcêmicos, além do Staphylococcus aureus (coberto pela oxacilina), o Salmonella spp. é um patógeno muito comum e precisa ser coberto. A clindamicina não cobre Salmonella. Um esquema adequado incluiria, por exemplo, uma cefalosporina de terceira geração (como ceftriaxona) para Salmonella e um agente para Staphylococcus aureus (como oxacilina ou vancomicina).
  • (E) Incorreta: A afirmativa V está correta. A crise aplásica por parvovirose causa supressão da medula óssea, resultando em reticulopenia (baixa produção de reticulócitos). Já o sequestro esplênico é a retenção de sangue no baço, mas a medula óssea continua produzindo, levando a reticulocitose (alta produção de reticulócitos) como resposta compensatória. O nível de reticulócitos é o principal fator para diferenciar essas duas condições.

Fonte: FGV FHEMIG 2023 Infectologia Pediátrica (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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