Questão nº 33
Questão de Infectologia Pediátrica · FGV FHEMIG 2023 (nº 33)
Lactente 2 meses, com IgM positivo pra Toxoplasmose no teste do pezinho e IgM e IgG positivos no exame sorológico de sangue periférico, realizado posteriormente. USG trasnfontanela, fundoscopia e hemograma realizados aos 45 dias de vida sem alterações. Mãe com IgG para toxoplasmose positivo com 8 semanas de gestação, considerada não suscetível.
Assinale a opção que indica a conduta adequada para o caso descrito.
- AConsiderar o exame do lactente falso positivo, pois a mãe foi infectada antes da gestação.
- BAcompanhamento do laboratorial da queda de anticorpos, por, provavelmente, se tratar de anticorpos maternos, já que a mãe teve a infecção antes da gestação.
- CAcompanhamento clínico, com fundoscopia e imagem de sistema nervoso central semestrais para, no caso de surgimento de sintomas, iniciar tratamento, pelo risco de infecção do lactente, devido à reativação de infecção materna prévia ou reinfecção da mãe na gestação.
- DTratamento com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico por 6 meses, pois se trata de infecção congênita do lactente por reativação de infecção materna prévia ou reinfecção da mãe na gestação.
- ETratamento com sulfadiazina, piremitamina e ácido folínico por 1 ano, pois se trata de infecção congênita do lactente por reativação de infecção materna prévia ou reinfecção da mãe na gestação. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
A toxoplasmose congênita é uma infecção causada pelo parasita Toxoplasma gondii que a mãe transmite ao bebê durante a gravidez. A presença de IgM (Imunoglobulina M) específica para toxoplasmose no sangue do bebê é o principal indicador de que o bebê está ativamente infectado, pois esses anticorpos não atravessam a placenta da mãe para o feto.
- (A) Incorreta: A presença de IgM positivo no teste do pezinho e confirmado em sorologia de sangue periférico do lactente é uma evidência forte de infecção congênita. O IgM não atravessa a placenta, portanto, se o bebê tem IgM, ele o produziu, indicando uma infecção própria, e não um falso positivo ou anticorpos maternos.
- (B) Incorreta: A presença de IgM no lactente descarta a hipótese de se tratar apenas de anticorpos maternos. Anticorpos IgM são produzidos pelo próprio bebê em resposta à infecção e não são transferidos da mãe para o feto pela placenta.
- (C) Incorreta: O diagnóstico de toxoplasmose congênita já está estabelecido pela sorologia do lactente (IgM+). O tratamento deve ser iniciado imediatamente para prevenir ou minimizar as sequelas, e não aguardar o surgimento de sintomas, pois muitos bebês infectados nascem assintomáticos, mas podem desenvolver sequelas graves se não tratados.
- (D) Incorreta: O tratamento padrão para toxoplasmose congênita confirmada, mesmo em bebês assintomáticos, é prolongado, geralmente por 1 ano, e não por 6 meses, para maximizar a prevenção de sequelas tardias.
- (E) Correta: A presença de IgM positivo no lactente confirma a infecção congênita, mesmo que a mãe já tivesse IgG positivo antes da gestação (o que pode indicar reativação ou reinfecção materna). O tratamento com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico por 1 ano é a conduta padrão e eficaz para prevenir ou atenuar as sequelas da toxoplasmose congênita.
Fonte: FGV FHEMIG 2023 Infectologia Pediátrica (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.