Questão nº 31
Questão de Infectologia Pediátrica · FGV FHEMIG 2023 (nº 31)
RN, dois dias de vida, nascido PV/AT sem intercorrências, assintomático, filho de mãe com teste rápido para sífilis positivo no momento do parto. VDRL da mãe negativo em dois exames durante a gestação. Foram realizados novos exames maternos no 1º dia após o parto: VDRL negativo e novo teste rápido positivo, sem tratamento prévio para sífilis.
Assinale a opção que indica a conduta adequada para o caso descrito.
- AConsiderar os testes rápidos falsos positivos e dar alta par após 48h.
- BRealizar VDRL do RN, se negativo alta em 48h.
- CConsiderar a mãe inadequadamente tratada, rastrear RN com VDRL no sangue e líquor, punção lombar, RX de ossos longos e tratar de acordo com resultados. (alternativa correta)
- DConsiderar a mãe inadequadamente tratada, rastrear RN com VDRL no sangue e líquor, punção lombar, RX de ossos longos e tratar com penicilina cristalina, independentemente do resultado.
- EConsiderar a mãe inadequadamente tratada, colher VDRL do RN, se negativo, administrar penicilina Benzatina e encaminhar para seguimento ambulatorial, sem necessidade de outros exames.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
O diagnóstico de sífilis congênita em um recém-nascido (RN) é complexo e exige uma avaliação cuidadosa da mãe e do bebê, mesmo com resultados de testes aparentemente contraditórios. A sífilis congênita ocorre quando a mãe grávida, infectada pela bactéria Treponema pallidum, transmite a infecção para o feto durante a gestação ou o parto.
- (A) Incorreta: Testes rápidos para sífilis podem ter resultados falso-positivos, mas a presença de um teste rápido positivo no parto, mesmo com VDRL negativo na gestação, e a ausência de tratamento materno prévio, tornam a alta sem investigação mais aprofundada um risco inaceitável. A armadilha da banca aqui é subestimar a possibilidade de sífilis com base em testes iniciais, ignorando a necessidade de uma abordagem mais robusta em casos de suspeita.
- (B) Incorreta: Um VDRL negativo no RN não exclui a sífilis congênita, pois a infecção pode não ter se manifestado clinicamente ou os anticorpos maternos podem estar presentes no sangue do bebê, mascarando um resultado falso-negativo inicial.
- (C) Correta: Diante de um teste rápido positivo no parto e ausência de tratamento materno, mesmo com VDRL negativo na gestação, a mãe é considerada inadequadamente tratada ou não tratada. O RN precisa ser rastreado com VDRL no sangue e líquor (líquido que envolve o cérebro e a medula espinhal) para avaliar a disseminação da infecção, e um raio-X de ossos longos pode identificar lesões características da sífilis congênita. O tratamento será guiado pelos resultados desses exames.
- (D) Incorreta: O tratamento com penicilina cristalina é o padrão ouro, mas a indicação e a dose dependem da avaliação clínica e laboratorial do RN. Tratar sem investigar os resultados dos exames pode levar a sub ou sobretratamento.
- (E) Incorreta: A penicilina benzatina é a medicação de escolha para tratamento ambulatorial em casos específicos de sífilis congênita, mas não é indicada para todos os RNs com mãe não tratada ou inadequadamente tratada. Além disso, a ausência de outros exames (líquor, RX) pode levar a um diagnóstico incompleto e tratamento inadequado.
Fonte: FGV FHEMIG 2023 Infectologia Pediátrica (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.