Questão nº 35

Questão de Infectologia Pediátrica · FGV FHEMIG 2023 (nº 35)

FGV2023Infectologia PediátricaInfectologia Pediátrica
Gabarito: Bver comentário ↓

Sobre HIV na infância, analise as afirmativas a seguir.
I. O principal fator de risco para a transmissão vertical é a carga viral materna. Assim, RNs de mães com CV positiva na gestação devem receber profilaxia com três drogas antirretrovirais por 28 dias, sendo 2 inibidores de transcripitase reversa nucleosídeos mais um inibidor de integrasse ou inibidor de protease.
II. Em parturientes soropositivas, o AZT deve ser administrado por via venosa durante o trabalho de parto, independentemente da via de parto ou da condição virológica da mãe.
III. A terapia antirretroviral deve ser iniciada para todas as crianças vivendo com HIV, independentemente da Carga Viral ou contagem de CD4, e o esquema inicial recomendado, atualmente, é com 2 inibidores da transcriptase reversa análogos de nucleosídeo (ITRN) e um inibidor de integrasse.
IV. A falha imunológica com queda do percentual CD4, sem falha virológica é uma indicação de troca de esquema antirretroviral imediato sem genotipagem.
Está correto o que se afirma em

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

O HIV na infância é principalmente adquirido por transmissão vertical (da mãe para o filho), e o tratamento precoce com antirretrovirais é crucial para a saúde da criança.

  • (A) Incorreta: A afirmativa I está correta, mas a II está incorreta.
  • (B) Correta:
    • I. O principal fator de risco para a transmissão vertical é a carga viral materna. (Verdadeiro, quanto maior a CV, maior o risco). Assim, RNs de mães com CV positiva na gestação devem receber profilaxia com três drogas antirretrovirais por 28 dias, sendo 2 inibidores de transcripitase reversa nucleosídeos mais um inibidor de integrasse ou inibidor de protease. (Verdadeiro. Se a CV materna é detectável ("positiva"), mesmo que baixa, ou desconhecida, ou se houve falha na adesão ao TARV materno, o RN é considerado de alto risco e a profilaxia com três drogas por 28 dias é a recomendação atual, utilizando as classes de medicamentos citadas.)
    • III. A terapia antirretroviral deve ser iniciada para todas as crianças vivendo com HIV, independentemente da Carga Viral ou contagem de CD4, e o esquema inicial recomendado, atualmente, é com 2 inibidores da transcriptase reversa análogos de nucleosídeo (ITRN) e um inibidor de integrasse. (Verdadeiro. As diretrizes atuais recomendam o início do tratamento para todas as crianças soropositivas o mais cedo possível, independentemente dos parâmetros imunológicos ou virológicos, e os inibidores de integrase são a classe preferencial para o terceiro medicamento no esquema inicial devido à sua eficácia e tolerabilidade.)
  • (C) Incorreta: A afirmativa I está correta, mas a IV está incorreta.
  • (D) Incorreta: A afirmativa II está incorreta e a III está correta.
  • (E) Incorreta: A afirmativa III está correta, mas a IV está incorreta.

Análise das incorretas:

  • II. Em parturientes soropositivas, o AZT deve ser administrado por via venosa durante o trabalho de parto, independentemente da via de parto ou da condição virológica da mãe. (Incorreta. A administração de AZT intravenoso durante o trabalho de parto não é independente da condição virológica da mãe. Se a mãe possui carga viral indetectável (<50 cópias/mL) no terceiro trimestre e boa adesão ao tratamento, o AZT IV pode ser dispensado, especialmente em casos de cesariana eletiva. A condição virológica materna é um fator determinante para essa decisão. Armadilha: A banca tenta generalizar uma prática que tem exceções importantes baseadas na condição virológica materna.)
  • IV. A falha imunológica com queda do percentual CD4, sem falha virológica é uma indicação de troca de esquema antirretroviral imediato sem genotipagem. (Incorreta. A falha imunológica (queda do CD4) sem falha virológica detectável (carga viral suprimida) é uma situação complexa que requer investigação. Não é uma indicação para troca imediata de esquema sem genotipagem. A genotipagem é fundamental para identificar possíveis mutações de resistência, mesmo que a carga viral esteja temporariamente suprimida ou se houver suspeita de adesão intermitente. A decisão de troca deve ser baseada em uma avaliação completa, incluindo a adesão, outras causas de imunodeficiência e, frequentemente, a genotipagem.)

Fonte: FGV FHEMIG 2023 Infectologia Pediátrica (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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