Questão nº 40

Questão de Medicina - Coloproctologia · FGV FHEMIG 2023 (nº 40)

FGV2023ColoproctologiaMedicina - Coloproctologia
Gabarito: Cver comentário ↓

Vítima de agressão de 20 anos, sem comorbidades e sem alterações hemodinâmicas, deu entrada na emergência com laceração linear e longitudinal de aproximadamente 2cm de extensão da parede posterior do reto, localizado a 3cm da borda anal e com ferimento de entrada entre o ânus e a tuberosidade isquiática direita, por vergalhão de aço, ocorrida há 2 horas atrás. Não apresenta nenhuma outra lesão concomitante ao trauma.
Assinale a opção que indica a escala de graduação correta dessa lesão, conforme a Associação Americana para Cirurgia do Trauma (AAST), e a indicação cirúrgica para este caso.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa C

A graduação de lesões retais pela AAST (Associação Americana para Cirurgia do Trauma) classifica a gravidade do trauma para guiar a conduta. Para o reto, é fundamental diferenciar lesões intraperitoneais (acima da reflexão peritoneal) de extraperitoneais (abaixo da reflexão peritoneal), pois a abordagem e o risco de complicações são diferentes. Lesões pequenas e limpas no reto extraperitoneal, como a do caso, geralmente permitem reparo primário.

  • (A) Incorreta: Grau I seria uma contusão ou laceração parcial da parede sem perfuração, o que não se aplica a uma laceração por vergalhão de aço que perfurou a parede.
  • (B) Incorreta: Retossigmoidectomia (remoção de parte do reto e sigmoide) é uma cirurgia muito agressiva e desnecessária para uma laceração de apenas 2cm. Colostomia terminal (Hartmann) também é excessiva e geralmente associada a ressecção.
  • (C) Correta: A laceração de 2cm, linear e longitudinal, é uma lesão de parede completa (perfuração) que ocupa menos de 50% da circunferência do reto, o que se enquadra no Grau II da AAST. A sutura da lesão é a conduta principal para lesões pequenas e limpas. A decisão de realizar colostomia em alça (desvio fecal temporário) é controversa para lesões retais extraperitoneais pequenas e bem reparadas, mas ainda é uma opção considerada por muitos cirurgiões, especialmente se houver preocupação com contaminação ou dificuldade de reparo, sendo, portanto, uma indicação válida "com ou sem" a colostomia.
  • (D) Incorreta: Grau III seria uma laceração de parede completa que ocupa mais de 50% da circunferência do reto, ou múltiplas lacerações, o que não é o caso de uma lesão de 2cm.
  • (E) Incorreta: Grau III está incorreto. Retossigmoidectomia é excessiva e, em caso de trauma com contaminação, a anastomose primária (religação imediata) após ressecção é geralmente evitada em favor de uma colostomia terminal (Hartmann).

Fonte: FGV FHEMIG 2023 Coloproctologia (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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