Questão nº 34
Questão de Medicina - Coloproctologia · FGV FHEMIG 2023 (nº 34)
Uma mulher, 63 anos, é encaminhada para avaliação de um coloproctologista. Ela apresenta história de fissura anal crônica posterior há um ano, apresentando exames realizados anteriormente, sem doenças inflamatórias, infecções sexualmente transmissíveis e biópsia negativa para neoplasias. Nega traumatismos locais prévios. Fez diversos tratamentos conservadores sem sucesso.
Ao exame proctológico nota-se hipotonia esfincteriana moderada de repouso e contração. Não identificado outras lesões até 10cm da borda anal, exceto a fissura anal posterior crônica clássica, com exposição dos esfíncteres na sua base.
Optando-se pela cirurgia, assinale a opção que indica a técnica mais adequada para esse caso.
- AFissurectomia.
- BFissurotomia.
- CEsfincterotomia interna lateral.
- DEsfincteroplastia.
- EAvanço cutâneo. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
A fissura anal crônica é uma ferida persistente no canal anal, geralmente associada a um espasmo do músculo esfíncter anal interno que dificulta a cicatrização. O tratamento cirúrgico visa promover a cura da ferida, seja relaxando o músculo ou cobrindo a fissura com tecido saudável.
- (A) Incorreta: A fissurectomia é a remoção cirúrgica da fissura, mas não aborda a causa subjacente da não cicatrização, especialmente em casos de hipotonia.
- (B) Incorreta: A fissurotomia é uma incisão na fissura para promover a granulação, mas também não resolve a questão da hipotonia ou da falta de cicatrização por si só.
- (C) Incorreta: A esfincterotomia interna lateral é o tratamento cirúrgico mais comum e eficaz para fissuras crônicas, mas é indicada para casos de hipertonia do esfíncter anal interno. A paciente apresenta hipotonia moderada, e realizar este procedimento enfraqueceria ainda mais o esfíncter, aumentando o risco de incontinência fecal. Esta é a armadilha da questão, pois ignora a característica crucial da hipotonia.
- (D) Incorreta: A esfincteroplastia é a reconstrução do esfíncter anal, geralmente indicada para defeitos esfincterianos significativos ou incontinência grave, não sendo a primeira opção para uma fissura crônica com hipotonia moderada sem incontinência severa.
- (E) Correta: O avanço cutâneo (ou retalho de avanço cutâneo) é a técnica mais adequada para esta paciente. Consiste em mobilizar um retalho de pele perianal saudável e vascularizada para cobrir a fissura. É especialmente indicado em casos de fissuras crônicas que não cicatrizam, fissuras complexas, ou em pacientes com hipotonia esfincteriana ou risco de incontinência, pois promove a cicatrização sem comprometer ainda mais a função do esfíncter.
Fonte: FGV FHEMIG 2023 Coloproctologia (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.