Questão nº 45
Questão de Medicina - Cirurgia de Cabeça e Pescoço · FGV FHEMIG 2023 (nº 45)
Paciente de 50 anos de idade, apresenta-se com bom estado geral, sem comorbidades, com um tumor glótico (T3), em que a prega vocal está fixa mas a aritenoide está móvel. Existe extensão tumoral à comissura e ao pé da epiglote.
Para o caso apresentado, assinale a opção que indica a conduta mais adequada.
- ALaringectomia supracricoidea com crico-hióido-pexia (CHP). (alternativa correta)
- BLaringectomia Near-total.
- CLaringectomia supracricoidea com crico-hióido-epigloto-pexia (CHEP).
- DLaringectomia hemilaringectomia vertical.
- ELaringectomia vertical fronto-anterior.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
Laringectomias parciais são cirurgias que removem apenas a parte da laringe afetada pelo câncer, buscando preservar a voz, a deglutição e a respiração. A escolha da técnica depende da localização e extensão do tumor, sendo crucial avaliar a mobilidade das estruturas como a prega vocal e a aritenóide.
(A) Correta: A laringectomia supracricoidea é a conduta mais adequada para tumores glóticos T3 com prega vocal fixa, desde que a aritenóide esteja móvel, como descrito no caso. A extensão tumoral ao "pé da epiglote" sugere que a epiglote pode precisar ser ressecada, tornando a crico-hióido-pexia (CHP) a técnica de reconstrução mais indicada, pois não requer a preservação da epiglote.
(B) Incorreta: A laringectomia Near-total é uma cirurgia mais extensa, geralmente considerada para tumores T3/T4 quando a laringectomia supracricoidea não é viável, mas ainda se busca preservar alguma função de voz. O caso apresentado ainda permite uma cirurgia mais conservadora como a supracricoidea.
(C) Incorreta: (Armadilha da banca) Embora a laringectomia supracricoidea seja a técnica cirúrgica adequada para o tumor T3 glótico com aritenóide móvel, a crico-hióido-epigloto-pexia (CHEP) exige a preservação da epiglote. A extensão tumoral ao "pé da epiglote" no caso apresentado torna a preservação da epiglote improvável, inviabilizando a CHEP e tornando a CHP (alternativa A) a reconstrução mais apropriada.
(D) Incorreta: A hemilaringectomia vertical é geralmente indicada para tumores T1/T2. Um tumor glótico T3 com prega vocal fixa é muito avançado para esta técnica, que não garantiria margens cirúrgicas adequadas.
(E) Incorreta: A laringectomia vertical fronto-anterior é uma técnica para tumores glóticos T1/T2, especialmente aqueles da comissura anterior. Um tumor T3 com prega vocal fixa é contraindicação para este tipo de cirurgia parcial mais limitada.
Fonte: FGV FHEMIG 2023 Cirurgia de Cabeça e Pescoço (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.