Questão nº 23
Questão de Direito Administrativo · FCC TRT23 2022 (nº 23)
Um ato administrativo discricionário, quando eivado de vício de motivo, mais precisamente quando constatada a falsidade das razões de fato ou de direito consignadas pela Administração para sua emissão, caso tenha sua validade questionada judicialmente,
- Asomente será passível de anulação se identificado desvio de finalidade ou afronta ao interesse público.
- Bnão poderá ser anulado, sob pena de invasão de seu mérito, o que é vedado em se tratando de ato discricionário.
- Cserá passível de anulação, como predica a teoria dos motivos determinantes, o que não afasta a revisão administrativa decorrente da autotutela. (alternativa correta)
- Dpoderá ser anulado, desde que esgotadas as instâncias de impugnação em sede administrativa.
- Enão será passível de anulação, cabendo ao Judiciário efetuar o saneamento do vício identificado.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
A motivação é a indicação dos fatos e fundamentos jurídicos que levaram a Administração a praticar um ato. A teoria dos motivos determinantes estabelece que, se a Administração explicita os motivos para um ato, mesmo que discricionário, e esses motivos se revelam falsos ou inexistentes, o ato é inválido e pode ser anulado.
- (A) Incorreta: A falsidade dos motivos por si só já é causa de anulação, independentemente de haver ou não desvio de finalidade ou afronta ao interesse público. O "somente" torna a alternativa errada.
- (B) Incorreta: Esta é a armadilha. Embora o Judiciário não possa invadir o mérito (conveniência e oportunidade) de um ato discricionário, a motivação é um elemento de legalidade. A teoria dos motivos determinantes permite ao Judiciário verificar a veracidade dos motivos declarados, sem adentrar o mérito da decisão em si. Se os motivos são falsos, há um vício de legalidade, não de mérito.
- (C) Correta: Sim, a teoria dos motivos determinantes predica que a falsidade dos motivos declarados para a prática de um ato administrativo, mesmo discricionário, acarreta sua anulação. Além disso, o princípio da autotutela permite (e, em caso de ilegalidade, impõe) que a própria Administração revise e anule seus atos ilegais, o que não é afastado pela possibilidade de controle judicial.
- (D) Incorreta: O esgotamento das instâncias administrativas (exaurimento da via administrativa) não é uma condição universal para o controle judicial de legalidade de atos administrativos no Brasil, conforme o princípio da inafastabilidade da jurisdição (Art. 5º, XXXV, CF/88).
- (E) Incorreta: Se o vício é a falsidade dos motivos, que é um vício de legalidade fundamental, o ato é anulável. O Judiciário não "saneia" o ato no sentido de refazê-lo ou corrigir a vontade da Administração; ele declara a invalidade do ato e o anula.
Fonte: FCC TRT23 2022 Analista Judiciário - Área Administrativa - Especialidade Contabilidade (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.