Questão nº 36
Questão de Odontologia · FCC TRT22 2022 (nº 36)
Paciente com 46 anos de idade, sexo masculino, relata que recebeu, por meio das mídias sociais, a informação de que o uso de cigarro eletrônico, por “apresentar menor concentração de nicotina”, oferece menores riscos ao desenvolvimento de câncer bucal. O paciente pergunta ao cirurgião-dentista se o cigarro eletrônico poderia ser uma alternativa aos cigarros, uma vez que ele pretende abandonar o tabagismo.
O profissional deve esclarecer ao paciente que:
I. A utilização de cigarro eletrônico oferece menor risco ao desenvolvimento de neoplasias bucais que o cigarro, por não apresentar nicotina em sua composição.
II. A verificação no sítio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária fornece informações sobre a autorização à comercialização desse produto no Brasil.
III. Estudos epidemiológicos de seguimento devem ser realizados para estabelecer a contribuição causal do cigarro eletrônico no aumento da incidência de câncer bucal.
IV. Inquéritos epidemiológicos transversais são suficientes para estabelecer relações de causalidade entre o uso de cigarro eletrônico e o câncer bucal.
Está correto o que se afirma APENAS em
- AII e III. (alternativa correta)
- BI e IV.
- CII e IV.
- DI e III.
- EIII e IV.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
Conceito-chave: Cigarro eletrônico não é isento de nicotina e, no Brasil, sua comercialização é proibida pela ANVISA; além disso, estudos transversais (que olham “uma foto” da população num momento) não provam causa e efeito — só estudos de seguimento (coorte) conseguem avaliar causalidade ao longo do tempo.
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(A) Correta: A afirmativa II está certa porque a ANVISA proíbe a comercialização do cigarro eletrônico no Brasil (Resolução RDC nº 46/2009, que mantém a proibição), e o site da agência é fonte oficial para o paciente conferir isso. A afirmativa III está certa porque, para afirmar que o cigarro eletrônico causa câncer bucal, são necessários estudos de coorte (seguimento), que acompanham usuários e não usuários ao longo do tempo e comparam a incidência da doença — algo que estudos transversais não conseguem fazer.
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(B) Incorreta: A afirmativa I é falsa porque o cigarro eletrônico contém nicotina (em concentrações variáveis, muitas vezes até maiores que o cigarro comum) e não há evidência de menor risco de câncer bucal; a afirmativa IV é falsa porque estudos transversais apenas medem exposição e doença no mesmo momento, não estabelecem causalidade (não sabem o que veio antes).
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(C) Incorreta: A afirmativa II é verdadeira, mas a IV é falsa — o erro está em afirmar que inquéritos transversais são suficientes para causalidade, o que é um erro clássico de epidemiologia (confundir associação com causa).
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(D) Incorreta: A afirmativa I é falsa (o cigarro eletrônico tem nicotina e não é seguro), e a III é verdadeira — mas como a I é falsa, a alternativa inteira cai.
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(E) Incorreta: A afirmativa III é verdadeira, mas a IV é falsa — a banca coloca essa combinação para pegar quem sabe que III é correta, mas esquece que IV é o oposto do que a ciência exige.
Armadilha da banca (distrator mais tentador — letra D): Ela junta a afirmativa I (que parece “lógica” porque o paciente ouviu que tem menos nicotina) com a III (que é correta). Quem não sabe que o cigarro eletrônico tem nicotina e que a ANVISA proíbe o produto cai na D. A pegadinha está em acreditar na informação da mídia social sem checar a fonte oficial — exatamente o que a questão quer ensinar.
Fonte: FCC TRT22 2022 Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Odontologia (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.