Questão nº 48
Questão de Psiquiatria · FCC TRT-15 2018 (nº 48)
Atenção: Para responder às questões de números 46 a 48, considere o caso abaixo.
M.S.F., 70 anos, com perda de memória, atenção e orientação temporo-espacial com início há 10 anos, evoluindo com comprometimento cognitivo progressivo e prejuízo das atividades instrumentais e básicas de vida diária, na avaliação apresenta mini exame do estado mental atual de 8 pontos (em 30) com escolaridade de 12 anos completos. A ressonância magnética demonstrou atrofia cortical intensa mais proeminente em hipocampo e região temporal medial, presença de lesões de substância branca compatível com leucariose (Fazekas 1), presença de lacunas em região de gânglios da base e sequela de pequeno AVC isquêmico em região occipital. A família o levou ao serviço de emergência para avaliação devido a aparecimento de atividade motora intensa, com piora no final da tarde e início da noite, muitas vezes com interjeições verbais agressivas.
A abordagem inicial envolve
Este texto de apoio vale também pra questão nº 46, questão nº 47.
- Ainvestigação de causas clínicas de agitação. (alternativa correta)
- Bsedação com benzodiazepínicos.
- Cintrodução de estabilizador de humor (lítio como medicação de escolha).
- Dintrodução de antidepressivos duais (venlafaxina ou duloxetina).
- Eintrodução de anticolinesterasico para tratamento do quadro de demência.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
Quando um paciente com demência apresenta agitação aguda, é fundamental primeiro descartar causas médicas reversíveis que possam estar desencadeando ou piorando o quadro.
- (A) Correta: A investigação de causas clínicas de agitação é a abordagem inicial e mais importante. A agitação em pacientes com demência frequentemente é um sintoma de um problema médico subjacente e tratável, como infecções (urinária, pulmonar), dor, desidratação, constipação, retenção urinária, efeitos adversos de medicamentos, distúrbios eletrolíticos, hipoglicemia, ou até mesmo um novo evento vascular cerebral. Em um serviço de emergência, a prioridade é identificar e tratar essas condições antes de considerar intervenções psicofarmacológicas.
- (B) Incorreta: A sedação com benzodiazepínicos não é a abordagem inicial. Embora possam ser usados em casos extremos de agitação refratária e perigosa, seu uso em idosos e pacientes com demência pode piorar o quadro cognitivo, aumentar o risco de quedas e, paradoxalmente, intensificar a agitação ou induzir delirium. É uma medida sintomática que deve ser considerada somente após a investigação das causas e com extrema cautela. Armadilha: A necessidade de "acalmar" o paciente pode levar a pensar em sedativos, mas a prioridade médica é diagnosticar a causa da agitação.
- (C) Incorreta: A introdução de estabilizador de humor (lítio como medicação de escolha) não é a abordagem inicial para agitação aguda em demência. Estabilizadores de humor têm indicações específicas (como transtorno bipolar) e o lítio, em particular, possui um perfil de efeitos colaterais e necessidade de monitoramento que o tornam inadequado para o manejo agudo da agitação em um paciente idoso e com demência.
- (D) Incorreta: A introdução de antidepressivos duais (venlafaxina ou duloxetina) não é a abordagem inicial para agitação aguda. Antidepressivos levam semanas para fazer efeito e não tratam a causa subjacente da agitação aguda. São indicados para sintomas depressivos ou ansiosos crônicos, não para uma crise aguda.
- (E) Incorreta: A introdução de anticolinesterasico para tratamento do quadro de demência não é a abordagem inicial para agitação aguda. Anticolinesterásicos (como donepezila, rivastigmina) são medicamentos para o tratamento sintomático da cognição na demência e atuam a longo prazo. Eles não têm papel no manejo agudo da agitação e não resolveriam a crise apresentada pelo paciente.
Fonte: FCC TRT-15 2018 Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Medicina (Psiquiatria) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.