Questão nº 49

Questão de Direito Constitucional · FCC TJ-MA 2019 (nº 49)

FCC2019Técnico Judiciário - Apoio Técnico AdministrativoDireito Constitucional
Gabarito: Cver comentário ↓

Um empresário renomado foi acusado de ter praticado crime de corrupção, ocasião em que passou a ser investigado por tal fato. Diante da repercussão do caso, o Congresso Nacional aprovou, já no curso da ação penal, uma alteração legislativa que dobrou a pena do crime do qual o empresário era acusado, considerando-o como hediondo e inafiançável. Ao final, foi ele condenado à pena máxima prevista na nova legislação. Nessa hipótese, o empresário

Resposta comentada

Gabarito Alternativa C

O conceito-chave aqui é a irretroatividade da lei penal mais gravosa, que significa que uma lei criminal que piora a situação do réu (aumenta a pena, cria um novo crime, etc.) não pode ser aplicada a fatos que aconteceram antes de sua vigência. A única exceção é a retroatividade da lei penal mais benéfica, ou seja, se uma nova lei for mais favorável ao réu, ela pode ser aplicada a fatos passados.

  • A) Incorreta: Esta alternativa aborda o princípio da pessoalidade da pena (Art. 5º, XLV, CF), que impede que a pena criminal passe da pessoa do condenado para seus herdeiros. Embora seja um princípio constitucional válido, não é o motivo pelo qual a pena aplicada ao empresário seria indevida neste caso, pois a questão central é a aplicação temporal da lei penal.
  • B) Incorreta: Esta alternativa descreve corretamente as características constitucionais dos crimes hediondos (Art. 5º, XLIII, CF). No entanto, a questão não é se crimes hediondos são inafiançáveis, mas sim se uma lei que classifica um crime como hediondo e aumenta sua pena pode ser aplicada retroativamente a um fato ocorrido antes de sua vigência. A Constituição proíbe a retroatividade da lei penal mais gravosa.
  • (C) Correta: A Constituição Federal, em seu Art. 5º, inciso XL, estabelece que "a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu". No caso, a alteração legislativa que dobrou a pena e classificou o crime como hediondo e inafiançável é claramente mais gravosa para o empresário. Portanto, essa nova lei não poderia ser aplicada ao crime cometido antes de sua entrada em vigor, e a pena máxima da nova legislação não poderia ter sido imposta.
  • D) Incorreta: Esta alternativa menciona o princípio da individualização da pena (Art. 5º, XLVI, CF), que determina que a pena deve ser adequada à culpabilidade e às circunstâncias do crime e do agente. Embora seja um princípio constitucional importante, ele se refere à aplicação da pena dentro dos limites legais existentes no momento do crime, e não justifica a aplicação retroativa de uma lei penal mais severa.
  • E) Incorreta: Esta alternativa se refere à proteção do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada (Art. 5º, XXXVI, CF). Embora sejam princípios de segurança jurídica, a irretroatividade da lei penal mais gravosa é um princípio específico e mais adequado para a situação descrita, previsto no inciso XL do mesmo artigo. O crime em si não se enquadra como "direito adquirido" ou "ato jurídico perfeito" para fins de aplicação deste inciso.

Fonte: FCC TJ-MA 2019 Técnico Judiciário - Apoio Técnico Administrativo (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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