Questão nº 3
Questão de Direito Tributário e Legislação Federal · FCC SEFAZ-MA 2016 - Conhecimentos Específicos (P2) (nº 3)
De acordo com as regras constitucionais atinentes às limitações do poder de tributar, é VEDADO
- Aaos Municípios, instituir e cobrar a "taxa de lixo" das repartições públicas estaduais, pertencentes à Administração direta estadual.
- Binstituir e cobrar contribuição de melhoria decorrente da valorização de um terreno baldio de propriedade de instituição religiosa.
- Caos Estados, instituir e cobrar o IPVA sobre veículos de propriedade de órgão da Administração direta da União. (alternativa correta)
- Daos Estados, instituir e cobrar a "Taxa de Fiscalização de Prestação de Serviços de Interesse à Saúde", relativamente a estabelecimento pré-escolar (maternal), entidade sem fins lucrativos e que exerce suas atividades essenciais.
- Eaos Municípios, instituir e cobrar o ISS sobre a prestação de serviço de saúde por hospitais de propriedade de entidade de economia mista, que cobra pelos serviços que presta, e cuja maior parte do capital pertence ao Estado.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
As limitações ao poder de tributar são regras constitucionais que proíbem os entes federativos (União, Estados, Municípios) de cobrar certos tributos em determinadas situações, protegendo direitos e garantindo o equilíbrio federativo. A imunidade tributária é uma dessas proibições, impedindo a cobrança de impostos sobre patrimônio, renda ou serviços específicos.
- (A) Incorreta: A imunidade recíproca (Art. 150, VI, 'a', da CF) impede a cobrança de impostos entre os entes federativos. No entanto, a "taxa de lixo" é uma taxa (tributo vinculado a um serviço específico e divisível), e a imunidade recíproca não se estende às taxas, conforme entendimento do STF (Súmula Vinculante 19). Portanto, é permitido cobrar a taxa.
- (B) Incorreta: A imunidade tributária para instituições religiosas (Art. 150, VI, 'b', da CF) se refere a impostos. A contribuição de melhoria, embora seja um tributo, não é um imposto, mas sim uma espécie tributária cobrada pela valorização imobiliária decorrente de obra pública. A imunidade não alcança a contribuição de melhoria, pois a valorização beneficia a entidade religiosa da mesma forma que qualquer outro proprietário. Armadilha: A pegadinha aqui é confundir a imunidade geral para instituições religiosas com uma imunidade para todos os tributos. A Constituição é clara ao limitar essa imunidade aos impostos.
- (C) Correta: A imunidade recíproca (Art. 150, VI, 'a', da CF) proíbe expressamente que a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituam impostos sobre o patrimônio, a renda ou os serviços uns dos outros. O IPVA é um imposto e veículos são parte do patrimônio. Portanto, um Estado não pode cobrar IPVA de veículos pertencentes à União.
- (D) Incorreta: A imunidade para entidades sem fins lucrativos de educação e assistência social (Art. 150, VI, 'c', da CF) se aplica a impostos. A "Taxa de Fiscalização" é uma taxa (tributo vinculado ao exercício do poder de polícia ou a um serviço público específico). A imunidade não se estende às taxas, que são devidas pela contraprestação de um serviço ou fiscalização.
- (E) Incorreta: A imunidade recíproca (Art. 150, VI, 'a', da CF) não se estende, em regra, às sociedades de economia mista que exploram atividade econômica, cobram pelos serviços que prestam e visam lucro ou distribuem resultados. Para que a imunidade se aplicasse, a entidade deveria prestar serviço público essencial em regime de monopólio e sem finalidade lucrativa, o que não é o caso descrito, já que "cobra pelos serviços que presta".
Fonte: FCC SEFAZ-MA 2016 - Conhecimentos Específicos (P2) Auditor Fiscal da Receita Estadual - Administração Tributária (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.